Determinada e profundamente apaixonada por esportes, Luísa Rosa construiu uma carreira sólida na gestão e na infraestrutura esportiva, dedicada a projetos que unem excelência operacional e desenvolvimento do futebol. Atualmente, ela atua como consultora da FIFA no programa FIFA Forward, iniciativa que oferece apoio técnico e financeiro a federações de futebol em todo o mundo, contribuindo para a criação, modernização e otimização de instalações esportivas e fortalecendo a base do esporte global.
Antes de atuar no cenário internacional, Luísa Rosa começou a se destacar no Brasil ao se tornar a primeira diretora mulher da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), um marco histórico em um ambiente ainda predominantemente masculino, abrindo caminho para maior diversidade e representatividade na gestão do futebol nacional.
Em entrevista exclusiva para o MKTEsportivo, Luísa Rosa contou que recebeu o convite para fazer história e integrar a diretoria da entidade em um momento inesperado.
“O convite surgiu num momento muito específico da minha carreira. Eu já trabalhava há alguns anos na CBF como gerente de infraestrutura e estava justamente negociando minha saída para me mudar e trabalhar na Copa do Mundo FIFA no Catar, quando recebi o convite para integrar a diretoria. Foi um susto, confesso. Algo que nunca havia acontecido antes, nem comigo nem na história da instituição.
Encontrei bastante resistência, e ainda encontro, mesmo após 15 anos de carreira”, declarou Luísa.
Durante sua trajetória na CBF, Luísa Rosa criou o departamento de Arquitetura e Infraestrutura, um setor inédito na entidade, com o objetivo de fornecer suporte técnico especializado para a execução e fiscalização de obras esportivas em todo o país.
“Tenho orgulho de saber que plantei essa semente, e espero que ela tenha continuado a crescer, com pessoas cuidando dos nossos estádios, campos e centros de treinamento por todo o país. Antes, os temas de infraestrutura eram tratados por setores sem formação específica em engenharia ou arquitetura. Hoje existe uma equipe dedicada a isso, com foco técnico e planejamento estratégico”, explicou.
Atualmente, como Consultora de Infraestrutura da FIFA, Luísa acompanha de perto projetos que vão desde a concepção até a entrega de obras esportivas, em federações da América do Sul e da Ásia.
No programa FIFA Forward, Luísa Rosa atua orientando países na elaboração de projetos, revisão de orçamentos e execução de centros esportivos, assegurando que cada investimento gere impacto concreto no desenvolvimento do futebol.
“Nos últimos anos, atuei em projetos na América do Sul e na Ásia, visitando federações, analisando centros de treinamento e ajudando a garantir que cada investimento da FIFA gere impacto real nas comunidades. O mais interessante desse trabalho é ver de perto como a infraestrutura pode transformar a sociedade. Não se trata apenas de construir campos e centros de treinamento, é sobre criar oportunidades, fomentar a base e fortalecer o futebol de forma sustentável e inclusiva”, complementou.
Para que sua trajetória não seja um caso isolado, a arquiteta enfatiza as mudanças ainda necessárias no esporte brasileiro para ampliar a presença feminina em cargos de liderança. De acordo com Luísa, o primeiro passo para uma mudança é o reconhecimento de que a indústria, especialmente o universo do futebol, ainda são ambientes majoritariamente masculinos em termos de gestão.
“Se olharmos para cargos de gestão e decisão, as mulheres ainda são minoria. E não se trata de competir por espaço, trata-se de equilíbrio, diversidade de pensamento e de experiência sobre o outro. Há um estudo do Comitê Olímpico Internacional que mostra que, para que as mulheres possam agir de forma autêntica e não apenas reproduzir padrões masculinos de decisão, elas precisam representar pelo menos 30% dos órgãos de gestão. O cenário está mudando, e há uma presença feminina cada vez maior em todo o mundo esportivo. Mas é essencial que confederações, federações e clubes compreendam essa importância e adotem políticas reais de equidade”, finalizou.





