A área de compliance do Corinthians avaliou a Carta de Intenções Não Vinculante entregue pelos responsáveis pela SAFiel e orientou a diretoria, comandada por Osmar Stabile, a não avançar com o documento antes que pontos específicos sejam esclarecidos.
A iniciativa propõe a conversão do clube em uma sociedade anônima com divisão de ações entre torcedores e limite de participação individual para evitar concentração. Pelo modelo apresentado, cada investidor poderia adquirir cotas até o máximo de 1,8%, mantendo o caráter democrático sugerido pelo projeto, conforme informou a Gazeta Esportiva.
Nesse processo de análise, o compliance identificou algumas red flags (sinais de alerta) relacionadas ao projeto e ao modelo sugerido para a eventual SAF do Timão. O departamento revisou esse material e outros contratos avaliados ao longo do último mês e apontou a necessidade de respostas adicionais sobre diferentes aspectos antes de qualquer decisão.
Diante disso, a recomendação interna é que o Alvinegro não avance com a proposta até que tais dúvidas sejam tratadas, inclusive porque o tema foi apresentado em reunião que envolveu representantes da SAFiel e Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo.
Sinais de alerta relacionados à SAFiel impedem avanço imediato da proposta
Entre os pontos que levantaram atenção está a constituição recente da empresa Invasão Fiel S.A., criada com capital social de R$ 3 mil, apesar de ser apresentada como futura captadora de R$ 2,5 bilhões para amortizar dívidas e financiar o futebol do clube.
A análise também reuniu informações referentes a um processo por estelionato envolvendo Maurício Chamati, arquivado na Justiça, mas mencionado na apuração. Além disso, os avaliadores destacaram que Chamati, que também é cofundador do Mercado Bitcoin, manteve proximidade com a gestão anterior liderada por Augusto Melo.
O relatório ainda incorpora o histórico de Chamati dentro do Corinthians, sendo que ele integrou por sete meses o Comitê Independente de Finanças, criado pelo então diretor financeiro Pedro Silveira. Os participantes do grupo assinaram um acordo de confidencialidade válido por cinco anos para resguardar informações internas, conforme revelado pelo UOL.
Conselheiros se dividem e articulam passos para manter a SAFiel em debate
Encerradas as atividades do comitê após o impeachment de Augusto Melo, Chamati se uniu a Carlos Teixeira e Eduardo Salusse para estruturar a SAFiel, lançada oficialmente em 28 de outubro. Pessoas próximas ao projeto veem exagero na desconfiança demonstrada por dirigentes e conselheiros do Corinthians e apontam que o debate interno é marcado por forte divisão entre grupos com posições distintas.
Mesmo com a presença de Chamati no grupo de idealizadores, apoiadores da proposta afirmam que ele não teria qualquer privilégio caso o modelo fosse implementado. Embora não haja confirmação definitiva sobre a decisão de Osmar Stabile, a recomendação do compliance afastou parte dos conselheiros que sinalizavam apoio inicial à SAFiel.
Ainda assim, há quem defenda que o tema seja debatido no Parque São Jorge e articule movimentos internos para mantê-lo em pauta. Esses conselheiros buscam reunir as 50 assinaturas necessárias para obrigar Romeu Tuma Júnior a levar o assunto às próximas sessões do Conselho. A medida, porém, pode expô-los a responsabilização nominal prevista na Lei Geral do Esporte, já que o compliance recomendou que o clube não avance com o projeto no formato atual.
Paralelamente a esse cenário, o Conselho Deliberativo também deverá votar em breve a proposta de reforma estatutária apresentada por Tuma Júnior, que enfrenta resistência nos bastidores, mas que o dirigente pretende levar ao plenário o quanto antes.





