A presença da NBA no Brasil é hoje uma operação cuidadosamente planejada, que combina estratégia de expansão física, análise de mercado e comportamento do torcedor. Com 31 lojas espalhadas pelo país, a liga estabelece sua presença de forma seletiva, considerando tanto o número de fãs quanto oportunidades financeiras em cada cidade.
“A gente tem mapeado o número de fãs por cidade e junto a isso oportunidades também de mercado. Então, a gente tem hoje uma relação muito próxima com vários shoppings e varejo no Brasil. É, a gente sabe que não é fácil. Então, depende muito das oportunidades que aparecem”, explica Sérgio Perrella, Vice-presidente de Licenciamento e Varejo da NBA na América Latina, em participação no Invite.
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A escolha das cidades é estratégica e visa equilibrar acesso e retorno financeiro. Um exemplo marcante foi a abertura do parque da NBA em Gramado. Para muitos, a decisão parecia improvável, mas o planejamento se mostrou eficaz.
“A pergunta que eu mais ouvi foi: ‘Por que Gramado?’. Ninguém entendia o porque. E Gramado é uma cidade que é a TOP 3 no Brasil nível de destino turístico. Em 2013, foram mais de 7 milhões de pessoas visitando o Gramado, tanto o brasileiro quanto o turista da América do Sul. E a gente conseguiu levar pro parque quase 200 mil pessoas de 100 cidades diferentes do Brasil”, detalhou Sergio.
“A gente sabe que eu não vou conseguir abrir uma loja da NBA no interior do Pará, mas com certeza têm pessoas do Pará que estão visitando Gramado”, acrescentou.
A lógica do merchandising
Além da presença física, a NBA também se preocupa em otimizar seu portfólio de produtos e merchandising. Sérgio detalha que o trabalho de análise de vendas e perfil do público é determinante para o layout das lojas e a escolha dos produtos.
“A gente leva em consideração o perfil do fã. Lógico que o operador da loja vai buscar sempre aquelas principais equipes que tenham mais vendas e uma procura maior. No entanto, nós como liga, temos a responsabilidade de dar representatividade para todos os times”, disse.
Mesmo com essa preocupação em oferecer diversidade, é natural que a demanda de mercado concentra vendas em algumas franquias de maior apelo, que historicamente já fazem um trabalho junto aos fãs.
“É lógico que eu não consigo colocar toda uma linha ampla hoje do Memphis, por exemplo, mas sabemos que temos que ter a regata do Ja Morant. Buscamos ampliar o maior número possível de produtos e contemplar todos os times, mas sabemos que no final das contas é o Lakers, Chicago Bulls, o Boston Celtics, Golden State Warriors e o Miami Heat”, lembrou.
Outro fator que influencia fortemente a estratégia de merchandising é a idolatria dos atletas. Sérgio observa que muitos torcedores acompanham jogadores mais do que times específicos.
“Tem um perfil também do torcedor brasileiro que ele ainda vai muito pelo atleta. Ele tem o lado time, mas aonde o LeBron for, ele vai arrastar uma multidão com ele e vai comprar a regata que for. Isso hoje vale para vários outros atletas. Isso vale para o Ja Morant, para o Wemby. É muito interessante essa legião de fãs que seguem o atleta independente do time. Às vezes gosta até mais do atleta do que do próprio time”, ressaltou.
A análise de vendas, a escolha de cidades estratégicas e a atenção ao comportamento do fã mostram como a NBA transforma a idolatria em oportunidade de negócio. Cada loja e cada produto são pensados para engajar o público, equilibrando a representatividade das 30 equipes com a força de jogadores icônicos. O resultado é uma operação que consegue unir experiência física, merchandising e marketing digital, consolidando a liga como referência no esporte e nos negócios no Brasil.






