
O Brasil é, sem dúvida, uma potência paralímpica. Os números falam por si: 7º lugar em Tóquio 2020 com 72 medalhas (22 de ouro) e uma ainda mais impressionante 5ª colocação em Paris 2024, com 89 medalhas (25 de ouro). Esses resultados solidificam nosso país como uma das grandes forças paralímpicas do mundo.
Mas a grandeza do paradesporto vai muito além das conquistas de pódio. Ela é uma narrativa de força, resiliência e superação que merece ser mais vista, mais admirada e, principalmente, mais apoiada.
É irrefutável o trabalho fenomenal realizado pelo governo e pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que sustentam a estrutura de desenvolvimento desses superatletas. Mas, quando olhamos para o setor privado, percebemos uma desconexão evidente e uma oportunidade preciosa: tornar-se parte de uma história tão poderosa quanto única, que infelizmente ainda permanece, em grande parte, inexplorada.
Como nações olham para líderes, temos o privilégio de ver Andrew Parsons, um brasileiro, no topo do cenário internacional como presidente do IPC (Comitê Paralímpico Internacional). Sua liderança é um reflexo da visão de inovação e impacto que marcamos no movimento paralímpico global. Internamente, também construímos exemplos que revolucionam suas áreas. Na minha experiência como presidente da CBSK (Confederação Brasileira de Skateboarding), testemunhei de perto a consolidação da ABPSK (Associação Brasileira de Para Skateboarding).
Essa organização não apenas se tornou referência no Brasil, mas lidera o movimento global do paraskate com excelência. E isso só foi possível pela dedicação incansável de gestores visionários, como George Hato (SP), Eriberto Filho(PE) e Fábio Araújo (ministério dos esportes). Essas iniciativas mostram como o paradesporto carrega um potencial transformador único.
O paradesporto não é um projeto social nem atende apenas uma agenda de inclusão. Ele é, acima de tudo, esporte de alto rendimento, performance e determinação no mais alto nível. Os para-atletas não competem apenas para chegar ao limite de suas capacidades, mas para superá-las de maneira extraordinária. Eles são superatletas que personificam valores como resiliência e disciplina, conectando-se naturalmente com a essência do que uma marca pode e deve transmitir.
Mesmo com essa força inquestionável, a conexão entre o paradesporto e as marcas permanece frágil e, muitas vezes, inexistente.
O documentário “Rising Phoenix”, disponível na Netflix, é uma representação brilhante do que o movimento paralímpico significa para a humanidade: ele transcende resultados e nos faz refletir sobre o que nos torna humanos. Em uma sociedade cada vez mais voltada para histórias autênticas, emocionantes e inspiradoras, por que histórias tão grandiosas ainda estão fora do radar?

Narrativas que Inspiram o Futuro
Além dos nossos tantos grandes medalhistas paralímpicos, como Clodoaldo Silva, Daniel Dias, Gabriel Araújo (Gabrielzinho) e Elizabeth Gomes, temos exemplos poderosos de pessoas com deficiência que ocupam cargos e representações de altíssimo nível na sociedade brasileira.
É impossível não destacar nomes como o apresentador Fernando Fernandes, alguém que expandiu sua presença do esporte para a televisão de maneira admirável; a senadora Mara Gabrilli, uma liderança política incontestável e voz em defesa dos direitos das pessoas com deficiência; a jornalista Flávia Cintra, que com sua atuação no Fantástico quebra barreiras e inspira coragem; e o velejador Lars Grael, um símbolo de cidadania e liderança, com um conhecimento profundo do esporte brasileiro.
Essas figuras não são apenas líderes em suas áreas – elas representam o impacto que a inclusão e a valorização da pessoa com deficiência têm no imaginário coletivo e na transformação cultural do Brasil. E, ao olharmos para os nossos heróis paralímpicos, vemos que eles também são, sem sombra de dúvida, protagonistas perfeitos para campanhas de comunicação e publicidade. Eles carregam valores de superação, competência e excelência de uma maneira que ressoa diretamente com o público. É hora de enxergá-los não apenas como atletas extraordinários, mas como assets estratégicos capazes de amplificar histórias e inspirar conexões entre marcas e pessoas.
Talvez a questão principal não seja sobre o que falta, mas sobre o que ainda não foi completamente enxergado. Quando valores como inclusão, superação e diversidade são incorporados às estratégias corporativas das marcas, elas criam uma conexão orgânica com um público que anseia por autenticidade. Apoiar o paradesporto não é caridade, tampouco uma questão meramente estética.
É um investimento sólido em narrativas poderosas, que unem esporte, sociedade e impacto cultural em uma fórmula perfeita para inspirar pessoas e gerar resultados. Historicamente, as marcas que mais se destacaram no esporte o fizeram não porque esperaram pelas medalhas para patrocinar, mas por compreenderem que o verdadeiro valor do esporte está no que ele representa. O paradesporto exemplifica isso como nenhuma outra vertente esportiva. Transformar potencial em realidade é uma escolha – e agora, mais do que nunca, é a hora de fazer essa escolha.
Que as próximas conquistas do paradesporto brasileiro venham acompanhadas de algo maior do que pódios: que sejam o símbolo vivo de como o esporte pode nos conectar, humanizar e transformar todos que decidem embarcar nessa jornada.
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