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Premier League aprova novo teto salarial e regras financeiras para a temporada 2026/27

Mudança visa equilibrar competitividade e sustentabilidade financeira, mas proposta de teto global absoluto foi rejeitada

Foto: Getty Images

22 de novembro de 2025

3 minutos de Leitura

A Premier League aprovou na sexta-feira (21) uma ampla reformulação em seu sistema financeiro, que entrará em vigor na temporada 2026/27. Entre as principais mudanças estão a criação de um teto salarial flexível para os clubes e a implementação do Sistema de Sustentabilidade e Resiliência (SSR). Por outro lado, a proposta de limite global absoluto de gastos foi rejeitada.

O novo modelo, chamado Squad Cost Ratio (SCR), foi aprovado por 14 votos a 6, substituindo as antigas regras de Profit and Sustainability Rules (PSR), vigentes desde 2013. Pelo SCR, todos os gastos com o elenco, incluindo salários de jogadores e comissão técnica, comissões de agentes e custo de transferências amortizado, ficam limitados a 85% da receita de cada clube, aproximando-se do modelo da UEFA, que estabelece 70%.

As novas regras salariais significam que os clubes não poderão gastar mais de 85% da receita com salários e comissões de agentes, mas não haverá limite absoluto para gastos em transferências, além das normas já previstas pelo Fair Play Financeiro da UEFA. Uma proposta da Premier League de impor um teto de 750 milhões de libras por temporada (R$ 5,33 bilhões) foi rejeitada por 12 dos 20 clubes da elite inglesa.

Os clubes também votaram contra adotar um teto salarial vinculado à receita do time com pior classificação, mantendo a regra de que cada equipe define seu teto individualmente. As regras financeiras atuais, que permitem prejuízos acumulados de até £105 milhões em três anos (≈ R$ 745 milhões), continuam em vigor como base de referência.

O teto de 85% funciona como Limite Verde. Gastos acima desse valor podem gerar multas, e há ainda um colchão de 30%, chamado Limite Vermelho, que permite despesas de até 115% da receita em situações especiais, como antecipação de receitas ou queda de desempenho esportivo. Ultrapassar esse limite poderá levar a penalizações esportivas, incluindo dedução de pontos.

O sistema também prevê a criação das SSR, aprovadas por unanimidade, com o objetivo de monitorar a saúde financeira dos clubes no longo prazo e evitar endividamento excessivo.

Uma proposta mais rígida, o Top-to-Bottom Anchoring (TBA), que limitava os gastos de todos os clubes ao orçamento do time com menor receita, foi rejeitada por 12 equipes.

O novo modelo enfrenta resistência da Associação de Jogadores Profissionais (PFA). O presidente Maheta Molango afirmou que o teto salarial limita os ganhos dos atletas e pode violar leis trabalhistas, prometendo recorrer à Justiça caso não haja diálogo com os clubes.

Segundo a Premier League, o objetivo das reformas é promover igualdade de oportunidades entre os clubes, aumentar a competitividade da liga e aproximar o sistema ao modelo da UEFA, preservando ao mesmo tempo a sustentabilidade financeira das equipes.

Com essas mudanças, a Premier League inicia uma das maiores reformas financeiras de sua história, equilibrando competitividade, controle de gastos e saúde econômica dos clubes, embora a implementação e o debate jurídico devam se intensificar nos próximos meses.

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