Notícias

Premier League bate recordes em transferências, mas endividamento preocupa clubes

Clubes da Premier League gastam bilhões em transferências enquanto acumulam dívidas recordes

Foto: Getty Images

12 de novembro de 2025

5 minutos de Leitura

Nos últimos anos, os clubes da Premier League têm registrado gastos históricos no mercado de transferências. Na última janela, os clubes ingleses desembolsaram cerca de £3 bilhões (aproximadamente R$22,5 bilhões) em novas contratações, com alguns atletas custando mais de £100 milhões (R$750 milhões). Esse investimento reflete não apenas a valorização dos jogadores, mas também a pressão por resultados imediatos na liga mais competitiva do mundo e em competições europeias.

No entanto, o cenário de gastos astronômicos tem um preço. Muitos clubes recorrem a empréstimos e financiamentos para equilibrar os orçamentos. Segundo dados da Premier League, em 2022, os clubes acumulavam mais de £4 bilhões (R$30 bilhões) em dívidas, sendo cerca de 37% provenientes de empréstimos dos próprios proprietários. Para a temporada 2023/24, os passivos relacionados a pagamentos futuros por jogadores chegaram a £3,18 bilhões (R$23,85 bilhões), concentrados principalmente em metade dos clubes, que detêm 77% da dívida total da liga.

Entre os fatores que impulsionam esse endividamento estão:

  • Transferências milionárias e salários elevados, muitas vezes pagos em parcelas;
  • Investimentos em infraestrutura, como novos estádios e centros de treinamento;
  • Modelo de receitas que, apesar de alto, não elimina riscos, já que custos operacionais e financeiros crescem continuamente;
  • Dependência de investidores e proprietários, cuja liquidez e disposição para injetar capital determinam o equilíbrio financeiro do clube.

Alguns clubes exemplificam bem os desafios desse modelo. O Everton, em 2023/24, tinha empréstimos externos de cerca de £594 milhões (R$4,45 bilhões) e uma dívida líquida de £330,6 milhões (R$2,48 bilhões), pagando aproximadamente £30 milhões (R$225 milhões) em juros apenas pelo financiamento do estádio. O Tottenham Hotspur acumulava £1,10 bilhão (R$8,25 bilhões) de dívida bruta, grande parte ligada à construção de seu novo estádio. Já o Chelsea contava com cerca de £491 milhões (R$3,68 bilhões) em parcelas futuras de transferências, além de outros empréstimos.

Os financiamentos vêm de um grupo diversificado de credores, incluindo grandes bancos europeus, como HSBC, Barclays e Santander, instituições especializadas, como Close Brothers e Aldermore, e bancos de Wall Street, como Citibank. Empresas de crédito privado, como Ares e Apollo Global Management, também se tornam players importantes, oferecendo empréstimos vultosos a clubes como Chelsea e Nottingham Forest, muitas vezes com taxas de juros elevadas.

O risco de endividamento elevado é real. Caso os clubes falhem em atingir metas esportivas ou de receita, o peso da dívida aumenta, tornando o equilíbrio financeiro vulnerável. Violações das regras de “Rentabilidade e Sustentabilidade” da Premier League podem resultar em sanções, dedução de pontos ou restrições em transferências.

Apesar dos desafios, o sucesso financeiro e esportivo da Premier League continua impressionante. O campeonato gera receitas bilionárias com direitos de transmissão, patrocínios e bilheteria. Porém, o cenário atual evidencia que a questão não é apenas “ganhar agora”, mas garantir a viabilidade financeira dos clubes no longo prazo.

Dívidas brutas dos clubes da Premier League – temporada 2023/24

  • Everton – £1.000 milhões (R$7,5 bilhões)
  • Tottenham Hotspur – £851 milhões (R$6,38 bilhões)
  • Manchester United – £547 milhões (R$4,10 bilhões)
  • Arsenal – £342 milhões (R$2,57 bilhões)
  • Liverpool – £314 milhões (R$2,36 bilhões)
  • Chelsea – £303 milhões (R$2,27 bilhões)
  • Brighton – £300 milhões (R$2,25 bilhões)
  • Crystal Palace – £15 milhões (R$112,5 milhões)

O motivo dos altos gastos é claro: a Premier League gera receitas bilionárias, permitindo investimentos vultosos em jogadores. A pressão por resultados imediatos e a competitividade intensa da liga fazem com que clubes médios e grandes gastem pesado para não ficarem para trás. Contratar estrelas também fortalece a marca, atrai torcedores e patrocinadores, criando um ciclo contínuo de investimentos elevados.

Investimentos das principais ligas europeias – temporada 2025/26

  • Premier League: £3,19 bilhões (R$23,9 bilhões)
  • Serie A (Itália): £844 milhões (R$6,33 bilhões)
  • Bundesliga (Alemanha): £503 milhões (R$3,77 bilhões)
  • La Liga (Espanha): £468 milhões (R$3,51 bilhões)

Ranking dos clubes que mais investiram em 2025/26

  • Liverpool – €482 milhões (R$3,18 bilhões)
  • Chelsea – €328 milhões (R$2,16 bilhões)
  • Arsenal – €294 milhões (R$1,94 bilhão)
  • Newcastle United – €289 milhões (R$1,91 bilhão)
  • Manchester United – €251 milhões (R$1,66 bilhão)
  • Nottingham Forest – €237 milhões (R$1,56 bilhão)
  • Tottenham Hotspur – €211 milhões (R$1,39 bilhão)
  • Manchester City – €207 milhões (R$1,36 bilhão)
  • Bayer Leverkusen – €198 milhões (R$1,30 bilhão)
  • Sunderland – €188 milhões (R$1,24 bilhão)

O domínio britânico é evidente: oito dos dez clubes que mais investiram na última janela pertencem à Premier League. Com gastos recordes, a liga reforça sua posição como a mais competitiva e lucrativa do continente, mas também mostra os riscos de um modelo baseado em investimentos altos e endividamento crescente.

Compartilhe
ver modal

Assine a newsletter do MKT