Aposta Esportiva

Setor de apostas regulamentado projeta R$ 28 bilhões na economia e mais de 15 mil empregos

Levantamento mostra avanço de novas ocupações e impacto direto no esporte

Mercado regulado de bets acelera e concentra audiência bilionária em 2025
Foto: Getty Images

11 de novembro de 2025

4 minutos de Leitura

O levantamento “Panorama do Mercado de Apostas de Quota Fixa”, produzido pela LCA Consultores Econômicos e pela Cruz Consulting a pedido do IBJR e da ANJL, mostra que, segundo dados da Receita Federal, o setor acumula R$ 7,5 bilhões em capital próprio desde a regulamentação em janeiro de 2025. O estudo também estima que esse volume pode gerar até R$ 28 bilhões em demanda adicional em diferentes segmentos da economia a partir do efeito multiplicador dos investimentos.

Com a regulamentação das bets em funcionamento, a projeção para este ano é que o mercado formal movimente R$ 36 bilhões em faturamento das operadoras, mantendo cerca de 10 mil empregos diretos e outros 5,5 mil indiretos.

Desde a aprovação da lei, o número de vagas formais aumentou, acompanhado por maior qualificação da mão de obra. Segundo a A Relação Anual de Informações Sociais (Rais), 65% dos trabalhadores têm ensino superior concluído ou em andamento, 47% atuam em funções técnicas ou de nível superior, e o salário médio é de R$ 7 mil, acima da média nacional registrada pelo IBGE.

A massa salarial gerada pelos empregos diretos chega a R$ 460 milhões por ano, somada a R$ 87 milhões em encargos sociais. Pelo Modelo de Insumo-Produto, a LCA calcula que cada R$ 1 de renda produzida diretamente pode resultar em até R$ 2,2 quando considerados os efeitos na cadeia produtiva. Esse processo ocorre paralelamente à abertura de 67 novas ocupações formais ligadas ao avanço tecnológico e à operação das empresas, como desenvolvedores, analistas de risco e profissionais de produto.

André Gelfi, diretor conselheiro e cofundador do IBJR, avaliou que a regulamentação abriu um ciclo de investimento, geração de empregos e ampliação de atividades vinculadas ao esporte, ao marketing e ao entretenimento, indicando que o setor passou a integrar uma cadeia produtiva mais estruturada.

Na parte tributária, as projeções da LCA indicam arrecadação de R$ 9 bilhões até o fim de 2025, somando tributos federais e municipais e a contribuição de 12% sobre o faturamento bruto das operadoras. Esses valores são destinados obrigatoriamente a áreas sociais, alcançando volumes equivalentes ao financiamento anual de milhares de profissionais da segurança e educação, além de unidades básicas de saúde.

Para Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJ, o avanço da regulamentação já produz resultados concretos na economia, com retorno financeiro para o setor público, ampliação de investimentos e formalização de mão de obra.

Futebol nacional: a maior parceria

O estudo também destaca o impacto do setor no futebol brasileiro. Em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A masculina terão operadoras como patrocinadoras máster, totalizando R$1,1 bilhão por temporada. Esses contratos representam valores, em média, 2,6 vezes superiores às premiações esportivas recebidas pelos times, aproximando a importância financeira do segmento a múltiplas conquistas de competições nacionais e continentais.

Esse volume de patrocínio representa uma parcela significativa das receitas dos clubes da elite e influencia diretamente sua capacidade de planejamento, especialmente porque a ausência desses recursos exigiria desempenho esportivo muito acima da média.

Gelfi também comentou que a participação das operadoras licenciadas contribui para a estabilidade financeira do futebol e que a atuação de empresas não reguladas continua sendo o principal risco para o ambiente competitivo, já que não recolhem impostos nem participam do financiamento do esporte.

A regulamentação em curso define critérios de licenciamento, monitoramento de pagamentos, identificação dos usuários e práticas de jogo responsável. A continuidade da implementação dessas regras, incluindo fornecedores, meios de pagamento e publicidade, tende a fortalecer a segurança das operações e reduzir o espaço das empresas que atuam fora do ambiente regulado.

Compartilhe
ver modal

Assine a newsletter do MKT