Em meio a um ambiente de instabilidade e indefinições, o Corinthians já começa a traçar os primeiros passos para a temporada de 2026. A diretoria trabalha sob restrições severas impostas pela Fifa, que impedem o registro de novos jogadores, enquanto tenta equilibrar dívidas expressivas e resolver pendências contratuais que afetam o elenco.
O desafio de planejar o próximo ano passa por ajustar o caixa, lidar com transfer bans ativos e encontrar soluções para manter a competitividade mesmo com limitações operacionais.
Após a vitória sobre o Grêmio no último fim de semana, Memphis Depay comentou que o Alvinegro precisa passar por transformações internas para voltar a disputar títulos importantes. O atacante destacou que há ajustes que só quem vive o dia a dia do clube compreende plenamente, indicando a necessidade de mudanças estruturais e de postura para que o time possa evoluir.
O jogador também destacou a falta de reforços e a estagnação da instituição no mercado, consequência direta da punição imposta pela Fifa. Desde então, o Corinthians contratou apenas Vitinho, antes de ser impedido de registrar novos atletas, sanção que já dura três meses e tem impactado a montagem do elenco.
O bloqueio de transferências, em vigor desde 12 de agosto, tem origem em uma pendência financeira de R$ 40 milhões com o Santos Laguna pela compra do zagueiro Félix Torres. A diretoria afirma que o pagamento será feito em dezembro, o que poderia liberar o clube para voltar ao mercado na janela de 5 de janeiro a 3 de março. No entanto, o problema é mais amplo.
Dívida do Corinthians
Além do caso envolvendo o time mexicano, o Timão acumula outras cinco condenações na Fifa, uma delas confirmada pelo CAS (Corte Arbitral do Esporte). Somadas, essas dívidas chegam a R$ 125,6 milhões e podem gerar novas sanções em breve.
O quadro financeiro preocupa ainda mais quando se observam os números do balancete de julho, divulgado em outubro. O total de débitos do clube alcança R$ 2,7 bilhões, sendo R$ 655 milhões referentes ao financiamento da Neo Química Arena. O restante envolve obrigações fiscais, empréstimos, pendências com outras instituições esportivas e pagamentos atrasados de direitos de imagem.
Em entrevista coletiva, o técnico Dorival Júnior confirmou ter recebido garantias do presidente Osmar Stabile de que o impasse será resolvido, mas admitiu que o cenário traz apreensão.
“Nós ainda não temos um norte. O presidente nos garantiu que teríamos essa situação solucionada. Já começamos a planejar o ano seguinte, mas com limitações, principalmente nas contratações”, disse o treinador.
Enquanto busca alternativas, o time paulista enfrenta incertezas sobre a permanência de parte do elenco. Fabrizio Angileri, Maycon, Talles Magno e Ángel Romero têm vínculo até o fim do ano, e a diretoria ainda não definiu o destino dos atletas emprestados. A intenção é reduzir a folha salarial, mas as restrições para registrar novos jogadores tornam o processo delicado, já que saídas podem fragilizar ainda mais o grupo.
Corinthians vai virar SAF?
Entre dificuldades financeiras, indefinições políticas e o risco de novas punições internacionais, o Corinthians tenta reorganizar seu futuro em meio a um presente conturbado. No fim de outubro, o grupo SAFiel apresentou uma proposta para transformar torcedores em acionistas do clube, defendendo um modelo de SAF popular e uma nova estrutura de governança que busca aproximar a torcida da gestão corintiana.
Apesar dos problemas, ainda há esperança esportiva, o Timão disputa vaga na final da Copa do Brasil e segue com chances de classificação à Libertadores via Brasileirão. O desafio, no entanto, será reconstruir o elenco e restabelecer credibilidade dentro e fora de campo antes da virada para 2026.





