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A nova rota do PSG: do adeus às estrelas ao projeto de potência global

Se antes o clube francês era sinônimo de constelação, agora o foco está em um elenco mais coletivo, optando por uma base sólida mesclando juventude e experiência

Foto: Divulgação

17 de dezembro de 2025

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Nesta quarta-feira (17), Flamengo e Paris Saint-Germain se enfrentam na final da Copa Intercontinental. Além da presença do time brasileiro, que já é amplamente reconhecido, outro aspecto chama atenção: o processo de reestruturação do clube francês nos últimos anos.

Se antes o PSG era sinônimo de constelação, com astros como Messi, Neymar e Mbappé, hoje o foco está em um time mais coletivo, com ênfase no investimento em jovens promissores e no fortalecimento de uma base sólida.

Esse movimento reflete uma mudança de estratégia mais ampla, que vai além do campo. A ação do PSG também é impulsionada pelos objetivos do QSI (Qatar Sports Investments), um dos maiores investidores no futebol atual.

Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, Ubiratan Leal, comentarista dos canais ESPN, destacou não apenas a transformação nas contratações do clube, mas também a ambição de seus proprietários em conquistar títulos internacionais e expandir a presença da marca PSG no cenário global.

“Após o projeto com Messi, Neymar e Mbappé não render o esperado esportivamente, o clube decidiu rever o caminho. Depois da primeira temporada, houve a troca no comando técnico e a escolha por Christophe Galtier, que vinha de um bom trabalho no Lille, com a ideia de formar um time mais coletivo, menos focado apenas na gestão de grandes estrelas. Esse movimento ficou ainda mais evidente com a saída de Neymar e Messi. A partir dali, o discurso interno passou a ser mais claro: transformar o PSG em uma espécie de “Bayern de Munique da França”, um clube dominante no cenário nacional, forte na formação e na captação de talentos locais, e que use essa hegemonia doméstica como base para se consolidar como potência europeia”, comentou Leal.

O duelo entre PSG e Flamengo será no Catar, o que gera ainda mais importância o time francês. O PSG, pertencente ao Qatar Sports Investments, fundo de investimento do país árabe, gerando uma conexão natural do clube com o país e, por isso, a partida vem sendo encarada com mais seriedade e expectativa do que de costume por parte dos europeus.

Além disso, Ubiratan destaca que o bom desempenho dos clubes brasileiros na Copa do Mundo de Clubes tem levado as equipes do Velho Continente a observarem os times nacionais com mais respeito, o que transforma esse confronto em um desafio nada amistoso.

“Sim, em comparação com os últimos europeus que estiveram no Intercontinental, existe um interesse maior do Paris Saint-Germain por se tratar de um jogo no Catar. Nesse contexto, o PSG tende a tratar o compromisso com mais seriedade. Há ainda um segundo fator importante: a boa campanha dos clubes brasileiros na Copa do Mundo de Clubes. Esse desempenho fez com que os europeus passassem a olhar para os times do Brasil com mais respeito. Se o time europeu não atuar em alto nível, corre o risco de perder, algo que já aconteceu recentemente, inclusive com o próprio PSG”, completou.

Após a conquista da tão esperada Champions League, não é difícil imaginar quais serão os novos planos para o futuro no PSG. Além da expansão comercial de sua marca, ampliar a hegemonia esportiva no cenário internacional deve ser prioridade entre os proprietários e o staff do clube.

Para Ubiratan Leal, esse processo se divide em duas etapas, que vai desde a busca de uma presença constante do time em fases decisivas da Champions League e a execução de um plano de internacionalização da Qatar Sports Investments, visando fortalecer ainda mais a marca.

“Vejo esse processo em duas etapas. A primeira é consolidar de vez o Paris Saint-Germain como uma potência europeia. O título já conquistado foi fundamental, mas o ideal é que o clube permaneça por mais um ou dois anos disputando finais e semifinais, eventualmente conquistando novos troféus, para mostrar que não se trata de um sucesso pontual. A partir daí, vejo como um passo natural a expansão do projeto para outros mercados, nos moldes do que o grupo City fez com clubes em diferentes países. O Brasil surge como uma possibilidade, por ser um futebol em crescimento e cada vez mais atrativo para investidores, assim como os Estados Unidos, que podem viver um novo boom após a Copa do Mundo”, finaliza.

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