A goleada sofrida diante do Fluminense por 6 a 0, no Maracanã, levou Julio Casares a expor publicamente sua avaliação sobre o momento do São Paulo. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (28), o presidente reconheceu erros de gestão, comentou o movimento da oposição que pede sua saída e assumiu a responsabilidade pelos efeitos que o resultado da 36ª rodada produziu internamente.
As saídas do diretor de futebol Carlos Belmonte e dos adjuntos Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi foram citadas, assim como os números financeiros que embasam o planejamento tricolor para os próximos anos.
“Eu me sinto parte integrante deste momento. A responsabilidade é coletiva. Do presidente, da diretoria, da comissão técnica e dos atletas”, disse Casares.
“Em segundo lugar, eu tenho mandato. Acho normal a oposição fazer isso (pedir impeachment). Hoje recebi apoio da coalizão. E tenho, sim, caminhos, porque tudo indica que faremos um belo balanço financeiro. O que nos dá envergadura para ter um 2026 como já foi no passado, com competitividade”, completou.
A reestruturação no departamento de futebol colocou a gestão esportiva sob condução direta do executivo Rui Costa e do coordenador Muricy Ramalho, com Marcio Carlomagno atuando como peça de suporte, função que Casares costuma associar à figura de um CEO.
O presidente afirmou que as mudanças relacionadas ao setor estavam previstas para o fim da temporada, mas foram antecipadas após a derrota para o Fluminense, acelerando uma organização que ele considera essencial para o ciclo que o clube pretende construir.
“Estou aqui hoje, muito triste. Momento desastroso ontem. As mudanças foram necessárias. Nós estávamos prevendo mudanças após o fim do Brasileirão e tivemos que antecipar o processo. A vinda do CEO, o Marcio… Ele está aqui exatamente para apoiar o processo de profissionalização cujo o futebol terá o comando do Rui Costa e do Muricy. Assim como ele fez em outros departamentos, ele está aqui para apoiar e acelerar o planejamento para 2026”, declarou.
“Não teremos nenhum conselheiro (no departamento de futebol). O futebol será tocado por profissionais. Rui Costa e Muricy. Ele (Marcio Carlomagno) não assume como diretor de futebol. Em qualquer empresa, o CEO é o chefe de todos”, completou.
Casares também tratou do papel do técnico Hernán Crespo dentro da ideia esportiva para 2026, afirmando que o treinador argentino está integrado ao processo de tomada de decisão e participando da estruturação da próxima temporada.
A permanência do comandante é vista como um componente estratégico, tanto no desenho da equipe quanto na condução do ambiente após os resultados recentes, mantendo Crespo como referência para o que a diretoria espera construir competitivamente no próximo ciclo.
O impacto da derrota para o Fluminense também reverberou entre os atletas. Após a partida, o volante Luiz Gustavo fez um desabafo público e pediu mudanças internas para que o São Paulo consiga reagir ao maior placar adverso das últimas duas décadas. O meio-campista afirmou ser uma pessoa que se posiciona e que “as pessoas que têm que vir e assumir algumas situações, nós estamos aqui fora botando a cara”.
A entrevista repercutiu e, ao comentar o tema, Casares destacou que o jogador conversou com o executivo Rui Costa nesta sexta e que parte das dificuldades competitivas foi amplificada pelo volume de lesões ocorridas durante a temporada. Segundo ele, os problemas físicos afetaram o desempenho coletivo de maneira relevante e expôs fragilidades em diferentes áreas do clube.
O presidente ainda mencionou que o próprio Luiz Gustavo enfrentou problemas de saúde e que o Tricolor manteve suporte integral, entendendo o desabafo como reflexo de um cenário complexo e não de um conflito individual.
No fechamento da entrevista, Casares voltou a citar falhas de gestão como responsabilidade compartilhada e mencionou o impacto das decisões administrativas sobre a capacidade comercial. Ele reconheceu que a reconstrução interna passa por postura institucional para atrair investimento, reforçando que sua atuação tem incluído agendas externas voltadas a oportunidades que podem beneficiar o time. O processo de definição de novas iniciativas ocorrerá após o fim do Campeonato Brasileiro.
“São erros coletivos, envolvendo presidente, diretoria, comissão técnica e atletas. Tendo essa constatação é olhar para frente, como estamos fazendo. A questão do investimento é algo que eu tenho trabalhado muito. Podem dizer que o presidente tem que estar ali, numa outra reunião. A atribuição é comercial também. Quando falamos em investimento, é a presença do presidente que tem a possibilidade de fazer, sem enumerar o tipo, o tamanho e a forma de investimento. Vamos ter processos de definição após o final do Brasileirão”, concluiu.
Próximo jogo do São Paulo
O São Paulo agora volta a campo pela penúltima rodada do campeonato para enfrentar o Internacional no Morumbis, quarta-feira (3), às 20h. A temporada será encerrada diante do Vitória, no dia 7, no Barradão, em um momento em que o clube busca encerrar o ano com estabilidade e reorganização para iniciar o próximo ciclo em condições mais estruturadas.





