A Fórmula 1 revelou o protótipo dos carros que serão utilizados na temporada 2026, além de detalhar as mudanças significativas no regulamento técnico da categoria, que já começam a ser implementadas no ano seguinte.
Entre as principais alterações, destacam-se inovações no design aerodinâmico, nas características dos chassis, e um redesenho completo das unidades de potência.
A principal novidade de 2026 diz respeito à aerodinâmica dos carros, que passarão a contar com o que está sendo chamado de “Aerodinâmica Ativa”. Essa mudança implica no fim do Drag Reduction System (DRS), sistema que era utilizado para reduzir o arrasto e consequentemente, facilitar ultrapassagens.
Em seu lugar, as equipes de engenharia introduzirão asas dianteiras e traseiras móveis, controladas manualmente pelos pilotos, que poderão ativar ou desativar esses recursos ao longo de retas designadas. Com isso, a dinâmica da corrida e a forma como as ultrapassagens são feitas devem ser alteradas, exigindo mais habilidade dos pilotos para controlar a aerodinâmica dos monopostos.
A quantidade de aletas nos carros também será reduzida, com um foco maior em simplificar as peças. As asas dianteiras terão áreas novas e potenciais de desenvolvimento, permitindo que as equipes explorem diferentes soluções aerodinâmicas.
Outra grande mudança virá nos assoalhos dos monopostos, que passarão a ser predominantemente planos. Essa alteração visa evitar o efeito “pourposing” (o famoso “quique” dos carros), fenômeno causado por mudanças bruscas na pressão aerodinâmica sob os bólidos.
Nos regulamentos vigentes entre 2022 e 2025, o objetivo era aumentar o downforce por meio de túneis de venturi (dutos em formato de ampulheta) que direcionavam o fluxo de ar para o fundo dos carros, mas, com as novas mudanças, o foco será em reduzir esse efeito, com difusores de ar maiores e entradas de ar mais amplas.
Com essas modificações, a altura do carro em relação ao solo também será maior, o que proporcionará mais estabilidade e controle durante as corridas.
Outras mudanças envolvem o tamanho dos carros e a segurança dos pilotos. A largura dos bólidos será reduzida de 2000 mm para 1900 mm, enquanto a distância entre-eixos cairá de 3600 mm para 3400 mm. Além disso, o peso será diminuído em 30 kg, o que ajudará a melhorar a performance geral.
No campo da segurança, as barras de proteção do chassi serão reforçadas, podendo suportar até 23% mais carga do que as versões anteriores. Outra modificação significativa será o uso de pneus mais estreitos, que também devem impactar a dinâmica das corridas.
Além das mudanças aerodinâmicas e estruturais, as unidades de potência dos carros também passarão por uma revolução. A partir de 2026, o sistema híbrido será simplificado.
O motor à combustão V6 de 1.6L continuará a ser a principal fonte de potência, mas o MGU-H (Motor Generator Unit – Heat) será removido. A unidade elétrica passará a ser composta apenas pelo MGU-K, responsável por gerar até 350 kWhs de potência. A expectativa é que a divisão de potência entre o motor à combustão e a unidade elétrica seja de 50/50, o que vai aumentar a importância da energia elétrica no desempenho dos carros.
Além disso, os pilotos terão acesso a um novo “Modo Ultrapassagem”, que poderá ser ativado quando o piloto estiver a menos de um segundo do carro à frente. Esse dispositivo oferece uma quantidade extra de energia elétrica para facilitar a ultrapassagem. O “Modo Boost” também será mantido, extraindo energia da bateria elétrica, mas somente quando houver carga suficiente.
O novo regulamento trará ainda mudanças no gerenciamento da recarga da bateria. Durante a corrida, os pilotos poderão escolher se desejam recarregar a bateria utilizando a energia gerada pelo motor à combustão ou a energia dos freios.
O novo sistema de recuperação de energia (Energy Recovery System – ERS) será muito mais eficiente, sendo capaz de recarregar a bateria com o dobro de energia por volta. Isso permitirá maior flexibilidade estratégica para as equipes e pilotos, que poderão decidir qual sistema utilizar em diferentes partes da corrida.









