A chegada de Marcelo Paz ao Corinthians para assumir o cargo de executivo de futebol provoca efeitos que vão além da estrutura interna do clube paulista. Um dos desdobramentos mais relevantes ocorre nos bastidores da Liga Forte União (LFU), bloco que reúne dez dos 20 clubes da Série A e conduz, de forma coletiva, a negociação de direitos comerciais e de transmissão do Brasileirão.
Paz continuará exercendo a presidência da LFU, função que assumiu ainda durante sua passagem pelo Fortaleza, quando liderava a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube cearense.
Com o profissional na presidência da liga e agora integrado à estrutura do Corinthians, a tendência é de fortalecimento do protagonismo do clube nas discussões estratégicas que envolvem receitas, governança e modelo de comercialização do campeonato. A LFU se tornou um dos principais polos de poder na redefinição do mercado de mídia esportiva no país, especialmente após a fragmentação das negociações individuais dos direitos de transmissão.
Antes de assumir a liderança institucional do Fortaleza, Marcelo Paz teve passagem como diretor de futebol entre 2015 e 2017. Em 2018, já como presidente, comandou um período de profunda reestruturação do clube, que culminou no título da Série B sob o comando de Rogério Ceni. Nos anos seguintes, o Fortaleza se consolidou na elite nacional, disputou a Copa Libertadores, alcançou a semifinal da Copa do Brasil e conquistou duas edições da Copa do Nordeste.
A trajetória administrativa também incluiu a articulação para a criação da SAF do Fortaleza. Paz deixou a presidência do clube associativo em 2023 para assumir o cargo de CEO da nova estrutura. Naquele mesmo ano, o time chegou à final da Copa Sul-Americana, ficando com o vice-campeonato após derrota para a LDU. Já na temporada mais recente, o clube acabou rebaixado à Série B ao terminar o Brasileirão na 18ª colocação.
O vínculo entre Corinthians e Marcelo Paz, no entanto, não é recente. Em 2024, o nome do dirigente foi tratado internamente como prioridade para assumir a função de CEO do clube, em meio à crise institucional desencadeada pelo caso envolvendo a antiga patrocinadora máster VaideBet. Na ocasião, Paz optou por permanecer no Fortaleza, enquanto o Corinthians seguiu outro caminho administrativo.





