A NBA vive um momento de reflexão estratégica sobre o futuro da liga. Nos últimos anos, algumas equipes adotaram uma prática controversa conhecida como “tanking”: perder partidas deliberadamente na reta final da temporada regular com o objetivo de melhorar suas chances na loteria do Draft. Embora legal dentro das regras, essa estratégia gera críticas de torcedores, jornalistas e analistas por reduzir a competitividade e desvalorizar o espetáculo esportivo.
Para enfrentar essa questão, o comissário Adam Silver e o Board of Governors da liga (Conselho de Governadores, formado pelos donos ou representantes das 30 franquias, responsável por aprovar mudanças importantes nas regras, políticas e na estrutura da NBA) têm estudado medidas que podem transformar a forma como franquias em reconstrução lidam com os últimos jogos da temporada. O objetivo é claro: garantir que cada partida tenha significado real, incentivar a disputa por vitórias até o último minuto e preservar a integridade esportiva da liga
Segundo o jornalista Shams Charania da ESPN, diversas propostas estão em análise, algumas das quais podem alterar profundamente o sistema de Draft e a estratégia das equipes em reconstrução. Entre as principais medidas estudadas, destacam-se:
- Limitação das proteções em escolhas de Draft: atualmente, times podem negociar picks com faixas intermediárias de proteção, como top-8 ou top-10, permitindo que manipulem resultados para manter certas escolhas. A proposta é restringir essas proteções apenas para top-4 ou top-14 e abaixo. Na temporada passada, o Philadelphia 76ers abriu mão de jogos finais para não ceder sua pick protegida ao Oklahoma City Thunder, evidenciando a necessidade de ajuste.
- Proibição de picks top-4 em anos consecutivos: a medida visa impedir que equipes consigam escolhas altas em temporadas seguidas, evitando ciclos prolongados de reconstrução baseados em campanhas ruins. Um exemplo citado é o San Antonio Spurs, que obteve a 1ª escolha em 2023, a 4ª em 2024 e a 2ª em 2025.
- Definição antecipada da ordem da loteria: estipular as posições do Draft já em 1º de março manteria os times focados em vencer até o final da temporada, reduzindo o incentivo a “desligar” jogadores ou perder propositalmente partidas na reta final.
Desde a reformulação da loteria em 2019, os três piores times têm chances iguais de 14% de obter a primeira escolha, tornando menos vantajoso terminar com o pior recorde. Ainda assim, equipes continuam explorando brechas, seja descansando titulares ou utilizando proteções de escolha de forma estratégica.
O objetivo dessas mudanças, segundo fontes ligadas à liga, é preservar a competitividade, valorizar cada jogo da temporada regular e reduzir práticas que desvalorizam o campeonato. Até o momento, nenhuma proposta foi oficialmente aprovada, e a NBA segue colhendo opiniões de donos, técnicos e executivos antes de levar qualquer medida a votação.
O Draft de 2026 já é considerado uma das melhores classes dos últimos anos, com potencial para impacto imediato na liga. Analistas apontam que ele se aproxima do nível do Draft de 2003, que revelou estrelas como LeBron James, Carmelo Anthony, Chris Bosh e Dwyane Wade. Entre os principais prospectos estão:
- Darryn Peterson (Kansas)
- AJ Dybantsa (BYU)
- Cameron Boozer (Duke)
- Nate Ament (Tennessee)
- Mikel Brown Jr. (Louisville)
- Chris Cenac Jr. (Houston)
- Jayden Quaintance (Kentucky)
- Koa Peat (Arizona)
- Tounde Yessoufou (Baylor)
- Labaron Philon (Alabama)
Caso aprovadas, as mudanças propostas pela NBA podem redefinir profundamente a estratégia de reconstrução das franquias e o próprio significado de disputar as melhores posições no Draft, garantindo que cada jogo da temporada regular seja relevante, competitivo e emocionante para os torcedores.





