Indústria

Nike avança em recuperação, mas ainda registra forte queda de lucro no trimestre

Receita praticamente estável, retração do digital, desafios na China e revisão estratégica após anos de aposta no DTC

Nike avança em recuperação, mas ainda registra forte queda de lucro no trimestre
Elliott Hill - CEO da Nike

19 de dezembro de 2025

3 minutos de Leitura

A Nike apresentou os resultados do segundo trimestre fiscal de 2026, encerrado em 30 de novembro, em um cenário ainda marcado por ajustes. A companhia atravessa um período descrito pelo CEO Elliott Hill como uma etapa intermediária, uma fase de reorganização que ainda não se traduz em melhora de rentabilidade.

A receita ficou praticamente parada em US$ 12,4 bilhões, variação de apenas 1% em relação ao ano anterior. O ponto mais sensível está no resultado final: o lucro líquido recuou 32%, para US$ 792 milhões, acompanhado por redução equivalente no lucro por ação, agora em US$ 0,53.

A divisão de atacado foi o lado mais aquecido do trimestre, com crescimento de 8% e faturamento de US$ 7,5 bilhões. Na direção contrária, o braço Nike Direct recuou 8%, enquanto o desempenho digital sofreu um tombo ainda maior, de 14%.

“A Nike está na metade da sua recuperação. Estamos progredindo nas áreas que priorizamos e continuamos confiantes nas ações que estamos tomando para impulsionar o crescimento e a rentabilidade de longo prazo de nossas marcas”, disse Elliott Hill, que assumiu o comando da marca em outubro de 2024.

No entanto, alguns mercados seguem pressionando os números, especialmente a China, que registrou queda de 17% na receita em meio ao fortalecimento de concorrentes locais como Anta e Li-Ning. A margem bruta também cedeu, chegando a 40,6%. Segundo o diretor financeiro Matthew Friend, parte do impacto vem de tarifas mais altas na América do Norte, que aumentaram os custos logísticos e produtivos.

A trajetória recente da Nike reflete decisões estratégicas do período anterior. Sob gestão de John Donahoe, a empresa intensificou o foco no modelo direto ao consumidor, priorizando lojas próprias e comércio online e reduzindo espaço para parceiros de atacado. A aposta buscava elevar margens ao eliminar intermediários, mas acabou limitando a presença da marca em pontos onde o consumidor compara produtos, abrindo espaço para rivais em ascensão, como On Running, Hoka e Brooks.

Além disso, a Nike passou a depender excessivamente de linhas casuais e de lifestyle, distanciando-se de seu histórico de performance esportiva.

“O ano fiscal de 2026 continua sendo um ano de ação por meio do programa ‘Win Now’, incluindo o realinhamento de nossas equipes, o fortalecimento das parcerias, o reequilíbrio de nosso portfólio e a conquista de resultados concretos. Estamos encontrando nosso ritmo em nossa nova estratégia esportiva e nos preparando para a próxima fase de inovação centrada no atleta em um mercado integrado e de alto nível”, finalizou.

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