A WNBA apresentou às jogadoras uma nova proposta de acordo coletivo de trabalho que, pela primeira vez, prevê a possibilidade de um salário máximo superior a US$ 1 milhão por ano (cerca de R$ 5,33 milhões). É um marco histórico em uma liga cujo teto salarial atual é de apenas US$ 1,5 milhão por equipe (aproximadamente R$ 7,99 milhões).
No entanto, segundo o Front Office Sports, diversas fontes próximas às negociações alertam que os números divulgados pela liga podem ser enganosos. Embora a WNBA tenha anunciado que os salários poderiam ultrapassar US$ 1,1 milhão (aproximadamente R$ 5,86 milhões), o valor contempla salário-base somado à participação nos lucros, e não o pagamento direto às jogadoras.
De acordo com a proposta, o salário supermáximo anual ficaria entre US$ 800 mil e US$ 850 mil (R$ 4,26 a 4,53 milhões), semelhante ao discutido no início de outubro. Portanto, nenhuma jogadora assinaria em 2026 um contrato com salário-base de US$ 1,1 milhão.
Atualmente, a remuneração das jogadoras é composta por diferentes mecanismos: salário-base, bônus contratuais (como premiações por títulos, conquistas individuais e participação no All-Star) , contratos de marketing e participação nos lucros, que, embora prevista, nunca foi acionada. Em 2025, o salário supermáximo era de US$ 249,2 mil (aprox. R$ 1,33 milhão), enquanto o salário mínimo era de US$ 66.079 (aprox. R$ 352 mil).
Bônus individuais do CBA atual (valores convertidos):
- Campeã da WNBA: US$ 20,8 mil (R$ 111 mil)
- Vice-campeã: US$ 7,7 mil (R$ 41,3 mil)
- MVP da temporada: US$ 15,4 mil (R$ 82,3 mil)
- Seleção Ideal da WNBA: US$ 10,3 mil (R$ 54,9 mil)
- Segunda Equipe Ideal: US$ 5,2 mil (R$ 27,5 mil)
- All-Star: US$ 2,6 mil (R$ 13,7 mil)
- MVP do All-Star: US$ 5,2 mil (R$ 27,5 mil)
Nos últimos anos, a liga tem destacado o “potencial de ganhos” para passar a impressão de salários mais altos. Em 2022, a comissária Cathy Engelbert afirmou que uma jogadora de elite poderia ganhar até US$ 700 mil anuais (R$ 3,73 milhões), mas apenas combinando bônus, prêmios e contratos de marketing.
Embora a nova proposta represente avanços, ela também traz cortes significativos. Segundo fontes do Front Office Sports, a WNBA retirou da negociação a oferta de moradia fornecida pelas equipes, um dos benefícios mais usados pelas jogadoras. Atualmente, as atletas podem optar por hospedagem fornecida pelo clube ou receber um auxílio mensal que varia de:
- US$ 1.177 (R$ 6.270) em Las Vegas
- US$ 2.647 (R$ 14.110) em Nova York
Jogadoras com filhos menores de 13 anos recebem apartamentos de dois quartos. A retirada desse benefício impactaria principalmente atletas com contratos temporários ou de curta duração, que dependem desse suporte para se manter durante a temporada.
Além disso, a liga propôs iniciar a temporada mais cedo, possivelmente já em meados de março, o que poderia gerar conflitos com competições como a NCAA e ligas internacionais, como o Projeto B. Atualmente, a temporada regular vai de meados de maio até início de setembro, e as finais de 2025 terminaram em 10 de outubro.
O que diz a proposta mais recente:
- Salário-base máximo de US$ 1 milhão → R$ 5,33 milhões
- Potencial de ganhos de até US$ 1,2 milhão → R$ 6,39 milhões com participação nos lucros
- Vários contratos supermáximos por equipe a partir de 2026
- Salário médio acima de US$ 500 mil → R$ 2,67 milhões
- Salário mínimo superior a US$ 225 mil → R$ 1,20 milhão
- Teto salarial de US$ 5 milhões → R$ 26,65 milhões, com crescimento atrelado à receita da liga e das franquias
Apesar disso, o modelo ainda não conecta automaticamente os salários ao crescimento financeiro da WNBA, o que, segundo as jogadoras, gera insegurança: se a liga lucrar mais, elas não são necessariamente beneficiadas proporcionalmente.
As atletas afirmam que recebem apenas 9,3% da receita total da WNBA, um percentual significativamente inferior ao da NBA. Diante disso, suas principais reivindicações incluem participação mais justa nos lucros, salários vinculados ao crescimento financeiro da liga, melhores benefícios e proteção para atletas mães, estabilidade contratual e valorização da carreira no longo prazo.
Durante o All-Star Game de 2025, diversas jogadoras expressaram publicamente sua insatisfação, vestindo camisetas com a frase “Pay us what we owe us” (“Paguem o que nos devem”). O gesto simbolizou a crescente mobilização das atletas por condições mais justas.
Com a popularidade e as receitas da WNBA em ascensão, as jogadoras defendem que merecem uma fatia maior do crescimento da liga, não apenas salários elevados em anos isolados, mas um sistema sustentável, moderno e alinhado ao futuro do basquete feminino.




