Nesta quarta-feira (7), a Audi confirmou o início dos testes do motor que será utilizado na temporada 2026 da Fórmula 1. A escuderia informou que a unidade de potência, desenvolvida internamente, já entrou em fase de validação como parte do cronograma técnico do projeto. O avanço envolve diretamente o Gabriel Bortoleto e também o alemão Nico Hulkenberg, que volta a formar dupla com o brasileiro em 2026 após já terem competido juntos em 2025.
Recém-chegada à F1 após a compra da Sauber, a Audi explicou que o teste ocorreu em 19 de dezembro, na Suíça, um dos principais centros operacionais da equipe. Segundo o time, o acionamento do motor foi tratado como uma etapa essencial para validar a integração entre chassi e unidade de potência.
O desenvolvimento do propulsor é um dos pontos centrais do novo regulamento da categoria, que entrará em vigor em 2026. O conceito seguirá híbrido, com divisão equilibrada entre os sistemas elétrico e de combustão, mas sem a utilização do MGU-H, responsável pela recuperação de energia térmica.
Dentro desse novo cenário técnico, o motor também apresentará mudanças estruturais importantes. Ele será cerca de 35 kg mais pesado do que o atual e contará com um sistema elétrico mais potente em relação à parte a combustão. Outra alteração relevante está no combustível, que passará a ser totalmente sustentável, eliminando o uso de derivados fósseis.
Paralelamente ao desenvolvimento técnico, a Audi mantém uma operação distribuída em diferentes países: Hinwil, na Suíça, concentra os trabalhos relacionados ao desenvolvimento do chassi. Já Neuburg, na Alemanha, responde pela montagem e pelos testes do motor, enquanto Bicester, no Reino Unido, abriga um centro técnico criado para dar suporte ao projeto.
Ao comentar o momento, a equipe destacou que o sucesso do teste reflete o esforço conjunto diante dos desafios impostos pelo novo regulamento. Responsável por liderar a transição da Sauber para a Audi na Fórmula 1, Mattia Binotto ressaltou o impacto simbólico do feito para o projeto.
“Ligar o motor é sempre um momento especial, mas este marca um novo começo. É o resultado tangível da nossa ambição coletiva e do trabalho dedicado das nossas equipes em Neuburg e Hinwil. Ver tudo se encaixando pela primeira vez dá a todo o projeto uma energia incrível. Construímos uma base sólida para o que será uma longa jornada, definida pelo nosso impulso implacável de melhorar”, disse Binotto.
O chefe de equipe Jonathan Wheatley também comentou o avanço, destacando a confiança gerada internamente após o acionamento do motor.
“Ligar (o motor) de forma bem-sucedida é um marco crítico que valida a qualidade do trabalho e a colaboração entre todos os departamentos. Ele energiza toda a equipe e fornece um foco claro enquanto nos preparamos para as próximas fases de desenvolvimento, incluindo o momento em que levaremos o carro à pista pela primeira vez. Esta conquista coloca a nossa primeira corrida em Melbourne em foco absoluto, e seguiremos construindo sobre esta base como uma equipe unida”, declarou Wheatley.
Com essa etapa concluída, a Audi avança para a apresentação oficial do primeiro carro da categoria na Fórmula 1, marcado para o dia 20 deste mês, em Berlim. Na sequência, a equipe participará dos testes de pré-temporada ao lado das demais escuderias, com atividades entre os dias 26 e 30 de janeiro, em Barcelona. Em fevereiro, o circuito de Sakhir, no Bahrein, receberá duas sessões, programadas para os períodos de 11 a 13 e de 18 a 20.
Embora ainda não tenha divulgado todas as especificações técnicas do carro, a Audi já apresentou uma prévia do visual em uma cerimônia realizada em Munique. O tradicional verde associado à Sauber foi deixado de lado, dando lugar a um modelo com predominância de prata, preto e vermelho, cores que servirão como base para a identidade visual do novo projeto.
A temporada da Fórmula 1 começa no dia 8 de março, em Melbourne, com o GP da Austrália, e será encerrada novamente em Abu Dhabi, em 6 de dezembro. O GP do Brasil está programado para 8 de novembro, no circuito de Interlagos.





