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Chelsea contrata Liam Rosenior, que se torna o 12º técnico negro da história da Premier League

A contratação marca apenas a segunda vez que um treinador negro assume o Chelsea na era moderna da Premier League

Foto: Getty Images

07 de janeiro de 2026

3 minutos de Leitura

O Chelsea anunciou na última terça-feira (6) a contratação de Liam Rosenior como seu novo treinador. O técnico inglês de 41 anos chega ao clube após passagem pelo Strasbourg, da França, para ocupar o cargo deixado por Enzo Maresca.

Apesar de ainda ter uma carreira relativamente curta como treinador, Rosenior construiu seu caminho em clubes considerados modestos do futebol inglês, como Derby County e Hull City, antes de assumir o Strasbourg em 2024. A equipe francesa pertence à BlueCo, grupo proprietário do Chelsea, e sob o comando de Rosenior garantiu vaga na Conference League na temporada passada, desempenho que chamou a atenção da diretoria londrina.

Com a contratação, Liam Rosenior se torna apenas o segundo treinador negro a comandar o Chelsea na história, juntando-se a Ruud Gullit, que esteve à frente do clube no final da década de 1990.

O anúncio reacende o debate sobre a baixa representatividade de treinadores negros no futebol inglês. Embora cerca de 43% dos jogadores da Premier League sejam negros, a presença de técnicos negros em cargos de liderança segue extremamente limitada, um contraste frequentemente criticado por atletas, ex-jogadores e figuras influentes do esporte.

Desde a criação da Premier League, em 1992, apenas 12 treinadores negros (incluindo interinos) comandaram clubes da elite do futebol inglês, número que evidencia a sub-representação desses profissionais no mais alto nível do campeonato.

Treinadores negros na história da Premier League:

  • Ruud Gullit — Chelsea; Newcastle United
  • Chris Hughton — Newcastle United; Norwich City; Brighton & Hove Albion; Tottenham (interino)
  • Jean Tigana — Fulham
  • Paul Ince — Blackburn Rovers
  • Terry Connor — Wolverhampton (interino)
  • Chris Ramsey — Queens Park Rangers
  • Darren Moore — West Bromwich Albion
  • Patrick Vieira — Crystal Palace
  • Vincent Kompany — Burnley
  • Nuno Espírito Santo — Wolverhampton; Tottenham; Nottingham Forest; West Ham United
  • Hayden Mullins — Watford (interino)
  • Liam Rosenior — Chelsea

O cenário torna-se ainda mais restrito quando ampliado para o futebol europeu. Na temporada 2025/26, considerando as cinco principais ligas do continente (Premier League, La Liga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1) apenas quatro treinadores negros estão empregados como técnicos principais:

  • Vincent Kompany — Bayern de Munique (Bundesliga)
  • Nuno Espírito Santo — West Ham United (Premier League)
  • Habib Beye — Rennes (Ligue 1)
  • Liam Rosenior — Chelsea (Premier League)

Em 2024, o ex-jogador e então treinador da seleção francesa nas Olimpíadas, Thierry Henry, comentou publicamente sobre a falta de diversidade nos cargos de liderança fora das quatro linhas.

“Quando você olha para o campo, há diversidade, mas os olhos podem enganar. Os olhos são inúteis se a mente é cega. Minha mente não é cega, e estar do outro lado, tentando um emprego como treinador sendo um homem negro, não é fácil. Quantos CEOs, diretores esportivos ou treinadores são de outras comunidades? Negros, muçulmanos, asiáticos… quantos existem? No campo, vemos diversidade. Fora dele, quase nenhuma.”

Henry, que também atua como comentarista da CBS Sports e da TNT Sports, é uma voz ativa na luta antirracista. O ex-atacante chegou a desativar suas redes sociais em protesto contra os ataques racistas direcionados a jogadores da Premier League, reforçando a necessidade de mudanças estruturais no futebol.

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