Internacional, Grêmio e Bahia passaram a integrar o grupo de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro que começam a temporada sem patrocínio máster de casas de apostas. Eles se juntam a Santos e Vasco, que já haviam encerrado acordos com empresas do setor. Com isso, quase um terço dos times da elite nacional inicia o ano sem um patrocinador principal estampado na camisa.
No Brasileirão de 2025, apenas um clube destoava do cenário amplamente dominado pelas plataformas de apostas: o Red Bull Bragantino, que utiliza no espaço nobre do uniforme a marca da empresa de bebidas energéticas proprietária do clube. À época, 19 das 20 equipes tinham acordos com bets.
Agora, o cenário começa a mudar. O Internacional rompeu o contrato com a Alfa após enfrentar atrasos recorrentes nos repasses financeiros, acumulando cerca de dois meses sem pagamento. A mesma empresa já havia encerrado a parceria com o Grêmio em dezembro, pelo mesmo motivo. Os contratos da dupla Gre-Nal iam até o fim de 2027 e previam valores na casa de R$ 50 milhões por temporada.
Na estreia do Inter no Campeonato Gaúcho, contra o Novo Hamburgo, o clube optou por entrar em campo com o uniforme sem patrocínio máster, sinalizando ao mercado que está em busca de um novo parceiro comercial.
Bahia
O Bahia também caminha para o encerramento de seu vínculo com a Viva Sorte Bet. Atualmente, o site da plataforma indica apenas o Goiás como clube patrocinado, e o escudo do time baiano já foi retirado. A avaliação interna é de que a empresa não obteve o retorno esperado com os investimentos no futebol e decidiu redirecionar seus aportes para outros setores.
O contrato, estimado em R$ 40 milhões por ano, teria validade até o fim desta temporada.
Vasco e Santos
O Vasco encerrou seu contrato com a Betfair no fim de 2025. A empresa, inclusive, deixou de patrocinar clubes da Série A, sendo substituída pela Betnacional na camisa do Cruzeiro. Ambas fazem parte do mesmo grupo empresarial, a Flutter Brazil.
Já o Santos anunciou em janeiro o término da parceria com a 7K, que ocupava o principal espaço do uniforme. O acordo, que inicialmente iria até abril de 2027, foi desfeito de forma consensual entre as partes.
Novas saídas no radar
Outros clubes podem ser afetados em breve. A 7K avalia encerrar também o patrocínio ao Mirassol, embora a tendência seja de manutenção do acordo com o Vitória. No caso do clube paulista, a diretoria considera baixo o valor pago, especialmente após a campanha histórica que resultou no quarto lugar no Brasileirão de 2025 e na classificação para a fase de grupos da Libertadores.
Apesar de ocupar a barra frontal da camisa, a 7K era tratada internamente como patrocinadora máster por aportar mais recursos do que a Poty, empresa de bebidas que aparece em posição superior no uniforme.
No Vitória, o cenário é diferente. A boa relação entre dirigentes do clube e executivos da casa de apostas, aliada à avaliação positiva das entregas esportivas e de visibilidade, deve garantir a continuidade da parceria.
A forte entrada das casas de apostas no futebol brasileiro inflacionou o mercado de patrocínios. Hoje, há um consenso entre executivos de que alguns clubes passaram a receber valores acima da realidade. Para aqueles que perderam seus parceiros, tem sido difícil encontrar novos acordos em patamar semelhante.
Do lado das empresas, a leitura é de que o momento pede contenção. Após os gastos elevados de 2025, primeiro ano do mercado totalmente regulamentado no país, há um movimento claro de redução de investimentos.






