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Dificuldades na venda do Nice ameaçam planos de Jim Ratcliffe no Manchester United

Ratcliffe pretende focar no United e evitar conflitos de interesse com competições da UEFA

Foto: Simon Peach/PA

15 de janeiro de 2026

4 minutos de Leitura

O empresário britânico Sir Jim Ratcliffe, fundador do grupo químico INEOS e acionista minoritário do Manchester United, enfrenta obstáculos para concretizar a venda do OGC Nice, clube da primeira divisão do futebol francês. Ratcliffe adquiriu 25% do Manchester United em 2023 por £1,3 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões), assumindo o controle das áreas esportiva e operacional do clube inglês.

Segundo informações do The Athletic, a INEOS colocou oficialmente o Nice à venda em 2025. A decisão faz parte de uma estratégia para concentrar esforços e investimentos no Manchester United, além de evitar possíveis conflitos de interesse com as regras da UEFA, que proíbem que clubes sob o mesmo controle disputem simultaneamente competições europeias, como a Liga dos Campeões e a Liga Europa.

Inicialmente, o clube francês foi avaliado em £217 milhões (aproximadamente R$ 1,35 bilhão). No entanto, diante da cautela demonstrada por potenciais compradores, motivada por fatores como desempenho esportivo irregular, limitações de receitas comerciais e o contexto financeiro do futebol francês, o valor pedido caiu para cerca de £173 milhões (em torno de R$ 1,08 bilhão).

A INEOS adquiriu o OGC Nice em 2019 por aproximadamente €100 milhões (cerca de R$ 540 milhões), cifra que, à época, figurou entre as maiores transações da história do futebol francês, superando inclusive o valor pago pelo Qatar Sports Investments na compra do Paris Saint-Germain anos antes. Apesar de investimentos em infraestrutura, gestão e elenco, os resultados esportivos ficaram aquém das expectativas.

A relação entre a administração da INEOS e a torcida do Nice também se deteriorou ao longo dos anos. Parte dos torcedores criticou a falta de ambição esportiva, a política de contratações considerada conservadora e a ausência de um projeto capaz de transformar o clube em protagonista da Ligue 1 ou em presença constante nas competições europeias.

No cenário inglês, Ratcliffe é visto como peça central no processo de reestruturação do Manchester United, clube que atravessa um período de instabilidade esportiva e financeira. Ainda assim, a família Glazer, controladora desde 2005, não demonstra disposição em vender seus 48,9% restantes das ações. Essa fatia garante cerca de 67,9% dos direitos de voto, graças às ações de classe B, que possuem poder de voto ampliado. Outros 22% do capital do clube pertencem a investidores públicos e institucionais, com ações negociadas na Bolsa de Nova York.

Internamente, a venda do Nice é considerada pela INEOS uma forma de liberar capital, reduzir a exposição a múltiplos clubes e, no longo prazo, criar condições para uma eventual ampliação da participação de Ratcliffe no Manchester United, caso surja uma oportunidade de negociação com os Glazer.

Do ponto de vista financeiro, o Manchester United vive um momento delicado. Ao final de 2025, a dívida total do clube ultrapassou £1,29 bilhão (aproximadamente R$ 7,8 bilhões), o maior nível desde a chegada da família Glazer ao comando. O montante inclui empréstimos bancários, refinanciamentos, linhas de crédito e outras obrigações financeiras. Relatórios anteriores indicaram uma dívida líquida, descontado o caixa disponível, em torno de £749 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões).

Apesar desse cenário, o Manchester United segue entre os clubes mais valiosos do mundo, sustentado por receitas robustas provenientes de direitos de transmissão, patrocínios globais, acordos comerciais e uma base de torcedores estimada em centenas de milhões de pessoas. Especialistas, contudo, alertam que o peso da dívida, somado à necessidade de investimentos estruturais, como a modernização de Old Trafford e o reforço do elenco, continua sendo um dos principais desafios para o futuro do clube.

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