A Fórmula 1 encerrou 2024 consolidando sua posição como um dos negócios mais valiosos do esporte mundial. O aumento do interesse do público, com destaque para o mercado norte-americano, foi convertido em crescimento expressivo de receitas, reforçando a solidez financeira de equipes e da própria gestora da competição.
De acordo com levantamento da Intelligence 2P, braço de dados do 2Playbook, as dez equipes do grid somaram € 4,14 bilhões em receitas, avanço de 16,5% em relação ao ano anterior. O movimento acompanha a evolução comercial da Liberty Media, que administra a Fórmula 1 e registrou € 3,138 bilhões em faturamento em 2024, crescimento de 13%, tendência mantida ao longo dos primeiros meses de 2025.
A performance da Liberty é decisiva para o ecossistema, já que a distribuição de prêmios às equipes está diretamente ligada ao desempenho financeiro da gestora, representando uma das principais fontes de receita das escuderias.
O fortalecimento do produto também se reflete nos números de audiência. Ao longo da temporada, 6,7 milhões de fãs estiveram presentes nos autódromos, enquanto a audiência global acumulada chegou a 827 milhões de pessoas, ampliando o apelo da categoria para patrocinadores e novos modelos de parceria.
Liderança financeira
No topo da cadeia econômica, a Mercedes manteve sua posição de destaque. A equipe alemã alcançou € 732,3 milhões em receitas, crescimento de 16% em 2024. Mesmo em um ano marcado pela despedida de Lewis Hamilton, a escuderia reforçou sua carteira de patrocinadores, com destaque para a entrada da Adidas, que assumiu o espaço anteriormente ocupado pela Tommy Hilfiger.
A eficiência financeira também se refletiu no lucro líquido, que avançou 44% e chegou a € 138,5 milhões. O bom momento atraiu investidores e elevou a avaliação da equipe para cerca de US$ 6 bilhões, após a venda de uma fatia minoritária das ações por Toto Wolff.
Na sequência aparece a Ferrari, que reportou € 670 milhões em receitas, alta de 17%. Parte relevante desse montante, no entanto, inclui receitas de licenciamento e royalties da marca em outros negócios, como parques temáticos, o que reduz o peso exclusivo da operação esportiva dentro da Fórmula 1.
McLaren ganha espaço
A disputa mais acirrada do grid financeiro ocorreu logo atrás. Impulsionada por resultados esportivos e por uma política comercial agressiva, a McLaren superou a Red Bull Racing em faturamento. A equipe britânica ampliou sua base para 50 patrocinadores, com nomes como Google, Mastercard e Cisco, e registrou um crescimento de 24%, alcançando € 634,5 milhões.
Já a Red Bull encerrou o ano com € 566 milhões em receitas e um lucro líquido de € 15,9 milhões, valor significativamente inferior ao da Mercedes, refletindo um cenário de maior pressão nos custos e menor margem.
Meio do pelotão
Entre as equipes intermediárias, a Aston Martin liderou em volume financeiro, com € 349,7 milhões em receitas, crescimento de 15% na comparação anual. O time, porém, segue operando com prejuízo, € 52,7 milhões, em razão dos investimentos pesados em infraestrutura e na construção de sua nova fábrica.
A Racing Bulls, equipe satélite da Red Bull, apresentou crescimento de 18% em seu primeiro ano sob a nova identidade, alcançando € 291,2 milhões, impulsionada pelo patrocínio máster da Visa Cash App.
O maior salto percentual ficou com a Williams, que viu suas receitas crescerem 44%, atingindo € 277,6 milhões. O resultado reflete uma reestruturação comercial e o impacto positivo da chegada de Carlos Sainz, que aumentou a atratividade da equipe junto a parceiros.
Base do grid
Na parte inferior da tabela financeira, a Alpine foi a única equipe a registrar queda de faturamento. O time francês recuou 4%, fechando 2024 com € 276,2 milhões em receitas e revertendo o lucro do ano anterior em um prejuízo de € 16,83 milhões.
Completam o grid a Kick Sauber, equipe de Gabriel Bortoleto, com € 206,2 milhões, e a Haas, que manteve estabilidade e encerrou a temporada com € 138,1 milhões em receitas.





