Após conquistar os títulos da Fórmula 3 em 2023 e da Fórmula 2 em 2024, Gabriel Bortoleto deu um salto significativo de patamar ao completar sua primeira temporada na Fórmula 1 em 2025. Aos 21 anos, o brasileiro chamou atenção não apenas pelo desempenho dentro das pistas, mas também pela forma como passou a lidar com a exposição e com a nova dinâmica de mercado da principal categoria do automobilismo.
Em meio a esse cenário, a antiga Kick Sauber foi adquirida pela Audi, e Bortoleto já tem confirmado seu futuro como piloto da Audi Revolut F1 Team, em um cenário que projeta sua consolidação na categoria a partir de 2027.
Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, Bortoleto fez um balanço do primeiro ano na Fórmula 1 e explicou como a mudança de categoria impactou diretamente sua rotina fora das pistas. A entrada na elite do automobilismo trouxe uma nova realidade em termos de compromissos comerciais, presença em ações de mídia e gestão da própria imagem, exigindo uma organização diferente daquela vivida até então.
“Mudou muita coisa desde o começo do ano. Precisamos voltar ao ano passado, na Fórmula 2, a quantidade de patrocinadores, a quantidade de dias de mídia que eu tinha que fazer, é totalmente diferente. Na Fórmula 1 a gente tem apoiadores novos, apoiadores que estavam conosco desde a categorias de base. Colocar tudo isso na agenda, no tempo que tenho no Brasil, eu volto pouquíssimas vezes ao ano agora. Atender a todos com dias de gravações e assim por diante, não é fácil. Muitas vezes a gente grava dois, três patrocinadores por dia em evento, mas eu acho que faz parte”, detalhou o piloto.
Entre alguns dos apoiadores estão a KitKat (Nestlé), Porto (Porto Seguro), BRB (Banco de Brasília), Motorola, Snapdragon e Barthelemy, além da A14 Management, empresa de gestão liderada por Fernando Alonso. Marcas brasileiras como PicPay e Claro também se associaram ao Bortoleto, movimento impulsionado pela presença do piloto no grid. Porto e KitKat, por exemplo, renovaram contratos de longo prazo, reforçando a confiança no projeto esportivo e na visibilidade gerada pela F1.
O retorno do Brasil ao grid

Esse contexto se torna ainda mais significativo com o retorno do Brasil ao grid da Fórmula 1 após sete anos sem representantes na categoria. A chegada de Bortoleto reacendeu o interesse do público brasileiro, com reflexos claros no engajamento das arquibancadas, nas plataformas digitais e na atenção do mercado publicitário.
Ao longo da temporada, o piloto descreveu como percebeu essa conexão crescente com os fãs e o impacto desse envolvimento na geração de valor para seus parceiros comerciais.
“O engajamento dos brasileiros não tem nem o que falar. Eles são os que mais engajam com os pilotos, com todos os atletas. Brasileiro é incrível nesse sentido. Eu tenho muito apoio dos brasileiros e fiquei realmente emocionado no GP do Brasil, de poder correr. Quando eu entrei no carro, todo mundo na arquibancada gritando. Foi uma sensação incrível que eu vou guardar para sempre na minha memória. E, nas redes sociais, sempre recebo apoio. É algo excepcional”, elogiou.
Ao mesmo tempo em que destacou essa retomada, Bortoleto reconheceu a responsabilidade de representar esse novo ciclo do Brasil na Fórmula 1 em um momento de transformação interna da equipe. A chegada da Audi, somada às mudanças regulatórias previstas para os próximos anos, posiciona o projeto em uma etapa clara de desenvolvimento e consolidação.
“É claro que é uma responsabilidade grande. A gente sabe que este é um período de adaptação, tanto para a equipe quanto para mim. Tudo é muito novo: a Audi está entrando agora no primeiro ano do projeto. Em 2024, a equipe somou zero ponto; nesta temporada, conseguimos dar um salto importante e chegamos a 71 pontos. Para o ano que vem, novamente, tudo muda: regulamento novo, carro novo, e a Audi desenvolvendo, pela primeira vez, seus próprios motores e o próprio carro. Será um período de adaptação, e talvez o início não seja fácil. Mas sabemos que, com o tempo, temos toda a estrutura e o investimento necessários para crescer na Fórmula 1. É um projeto de longo prazo, e estou feliz por fazer parte desse processo de reestruturação”, salientou Gabriel.
Esse processo de transformação coincide com uma das maiores mudanças técnicas da Fórmula 1 nos últimos anos. A partir de 2026, a categoria adotará um novo regulamento que prevê carros menores e mais leves, o fim do DRS, a introdução da aerodinâmica ativa, sistemas de impulso para ultrapassagens e motores com divisão igual entre combustão e energia elétrica. A expectativa da categoria é por corridas mais equilibradas e disputas mais próximas ao longo do grid. Bortoleto comentou como enxerga esse novo cenário dentro da pista.
“Eu acho que vai ser diferente [novas regras da Fórmula 1]. Os carros serão um pouco mais lentos com certeza. Se vai causar um pouco mais de movimentação na corrida, eu ficaria muito feliz, mesmo o carro sendo um pouco mais lento. Um pouco mais de ultrapassagem seria legal”, finalizou Gabriel.
A temporada 2026 da Fórmula 1
Neste momento, a F1 encontra-se em período de férias. As atividades retornam entre os dias 26 e 30 de janeiro, com testes privados em Barcelona. Na sequência, as equipes seguem para o Bahrein, onde acontecem as sessões oficiais de pré-temporada, programadas para os dias 11 a 13 e de 18 a 20 de fevereiro. A temporada 2026 terá início no Grande Prêmio da Austrália, programado para os dias 6 a 8 de março.
Mesmo durante a pausa no calendário, Bortoleto afirmou que não consegue se desligar completamente do automobilismo. O período de descanso também é usado para manter ritmo, estudar regulamentos e cumprir compromissos já pensando na temporada seguinte.
“Vou ter bastante contato com automobilismo nas férias. Esquecer nunca porque é minha vida, sempre foi desde pequenininho. No tempo que tenho livre eu vou andar de kart, eu vou inventar alguma coisa para fazer com os meus amigos e também estudar. Mesmo nas férias eu tenho muita coisa para estudar, ler o regulamento de 2026, enfim, tem muita coisa interessante e sempre está na minha cabeça”, finalizou.





