O Galo da Madrugada saiu vencedor de uma disputa judicial envolvendo o Atlético-MG. A discussão girava em torno do uso da marca “Galo Folia”, registrada pelo tradicional bloco de carnaval pernambucano. A Justiça Federal do Rio de Janeiro negou o pedido do time mineiro para cancelar o registro, permitindo que o nome continue sendo utilizado pelo bloco que reúne milhões de foliões nas ruas do Recife todos os anos.
Na decisão, a juíza Quézia Silvia Reis avaliou que, apesar de o termo “galo” estar presente tanto na identidade do clube quanto na do bloco, não existe risco de confusão ou associação indevida entre as marcas.
O entendimento foi de que cada instituição atua em um campo distinto, o que afasta a possibilidade de prejuízo à identidade de qualquer uma das partes. O Atlético-MG alegava que o uso do nome violaria seus direitos, mas a Justiça considerou que futebol e carnaval ocupam espaços diferentes no mercado.
O julgamento também destacou que, mesmo que parte do público acompanhe tanto o esporte quanto as festas populares, o consumo ocorre em contextos distintos. Por isso, a decisão apontou que não seria razoável imaginar que um bloco de carnaval pudesse ser confundido com uma marca ligada ao futebol, já que cada um possui reconhecimento próprio em seu segmento. Além disso, a sentença reconheceu que o Galo da Madrugada possui registros mais antigos, consolidados há mais de 20 anos.
Outro ponto abordado foi a impossibilidade de aplicar a Lei Pelé ao caso, já que, segundo o entendimento da Justiça, não existe disputa no ambiente esportivo.
Após a decisão, o Galo da Madrugada se manifestou e afirmou que não vê o episódio como um confronto com o clube mineiro, destacando o reconhecimento judicial de sua trajetória cultural.
“Recebemos a decisão com tranquilidade. A Justiça reconheceu a trajetória histórica do Galo da Madrugada, que há mais de 40 anos leva cultura e alegria às ruas do Recife. Não vemos isso como uma disputa contra ninguém. Respeitamos o Atlético Mineiro e entendemos que são instituições de áreas diferentes: cultura e esporte. O Galo segue fazendo o que sempre fez: promovendo carnaval, tradição e inclusão. Nosso compromisso é com o povo e com a cultura pernambucana”, informou ao Ge.
Até o momento, o Atlético não se pronunciou sobre a decisão.






