Indústria

Ministério Público investiga gestão e endividamento no São Paulo

Apuração ocorre em meio à análise criminal e a um processo de impeachment contra o presidente Julio Casares

Foto: Marcos Riboli

15 de janeiro de 2026

3 minutos de Leitura

O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito para analisar indícios de uma possível condução administrativa inadequada que pode ter contribuído para o aumento do endividamento do São Paulo Futebol Clube.

A apuração busca esclarecer se decisões da gestão recente comprometeram a saúde financeira da instituição, analisando atos que podem ter causado prejuízos ao patrimônio ou desvios de finalidade. Também estão sob investigação o uso questionável de recursos públicos e a concessão de benefícios indevidos, com potencial impacto ao erário e aos interesses coletivos.

A investigação foi oficialmente aberta no dia 7 de janeiro e prevê um prazo inicial de 30 dias para a apresentação de documentos, informações e eventuais provas que deem suporte ao andamento do procedimento. O processo tramita na esfera cível e, após essa etapa preliminar, o Ministério Público avaliará os próximos encaminhamentos com base no material reunido.

Paralelamente, há um outro inquérito em curso, desta vez na esfera criminal, conduzido pela Polícia Civil. Nesse caso, o foco recai sobre Nelson Marques Ferreira, que ocupou o cargo de diretor adjunto de futebol do São Paulo entre o início de 2021 e novembro do ano passado, período em que teria aberto 15 empresas.

As autoridades tomaram conhecimento de um possível esquema envolvendo o time paulista após uma denúncia encaminhada pelos Correios. O mesmo procedimento também inclui o atual presidente do São Paulo, Julio Casares, além de integrantes de seu núcleo familiar.

No âmbito político do clube, conselheiros protocolaram no dia 23 de dezembro um pedido formal, com 57 assinaturas, solicitando a convocação de uma reunião extraordinária para debater a abertura de um processo de impeachment contra Julio Casares.

Após a sucessão de episódios recentes e o avanço das investigações, a votação sobre a eventual destituição do presidente foi agendada para sexta-feira, às 18h30, no Morumbis. O requerimento partiu do grupo Salve o Tricolor Paulista, que reúne integrantes da oposição, e contou também com o apoio de 13 conselheiros ligados à situação.

A pressão sobre Casares aumentou após a divulgação de uma reportagem do ge que revelou a existência de uma exploração irregular de um camarote no Morumbis, envolvendo dois diretores ligados à atual gestão, que pediram afastamento. Em áudios que vieram a público por meio do ge, Mara Casares e Douglas Schwartzmann reconhecem participação em um esquema relacionado ao uso indevido de um camarote durante o show da cantora Shakira, realizado em fevereiro de 2025.

Enquanto o tema ganhava repercussão pública, a Polícia Civil já mantinha um inquérito aberto com diferentes linhas de apuração. Uma delas analisa possíveis irregularidades no departamento de futebol, enquanto outra se debruça sobre movimentações financeiras em contas bancárias do São Paulo Futebol Clube e do próprio Julio Casares.

Entre os pontos investigados estão depósitos em dinheiro que somam R$ 1,5 milhão nas contas do presidente. Além disso, apura-se uma sequência de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, totalizando R$ 11 milhões.

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