Patrocínio

Patrocinadora interrompe repasses à Federação Argentina e questiona uso de intermediários

A Socios.com decidiu suspender os pagamentos previstos em contrato e condiciona qualquer retomada a mudanças estruturais na forma como os recursos são repassados

Foto: Divulgação

19 de janeiro de 2026

3 minutos de Leitura

A relação entre a Federação Argentina de Futebol (AFA) e um de seus principais patrocinadores atravessa um momento de forte tensão.

A plataforma Socios.com, blockchain especializada em conectar fãs a organizações esportivas, decidiu suspender os pagamentos previstos em contrato e condiciona qualquer retomada a mudanças estruturais na forma como os recursos são repassados, além de exigir uma auditoria completa das transferências realizadas desde 2021.

Segundo informações reveladas pela imprensa argentina, a empresa afirma ter investido mais de US$ 9 milhões no futebol argentino nos últimos anos. No entanto, de acordo com a companhia, apenas cerca de US$ 480 mil teriam sido efetivamente depositados nas contas da AFA. O restante dos valores teria circulado por meio de empresas intermediárias, muitas delas sediadas fora da Argentina.

Diante desse cenário, a companhia comunicou oficialmente que não aceitará mais realizar pagamentos por meio de terceiros. A partir de agora, qualquer repasse financeiro deverá ser feito diretamente à AFA, reconhecida como titular dos direitos comerciais previstos no contrato de patrocínio.

Entre as empresas que deixariam de receber recursos estão intermediárias como a Tourprodenter LLC, citada de forma recorrente na documentação analisada.

O posicionamento da Socios.com foi reforçado publicamente por seu CEO, Alexandre Dreyfus, que adotou um discurso firme ao explicar a decisão. De acordo com a empresa, nenhuma das entidades intermediárias envolvidas teria prestado serviços efetivos ou participado das negociações firmadas com a AFA, o que levanta questionamentos sobre a justificativa dos repasses.

“Nós nos recusamos a continuar financiando entidades offshore que não nos prestaram nenhum serviço. Exigimos uma auditoria completa e solicitamos que os pagamentos futuros sejam feitos diretamente à AFA”, declarou o executivo.

Além da Tourprodenter LLC, aparecem na lista de intermediárias companhias como Q22 Services Limited, registrada em Guernsey; Stratega Consulting USA LLC, sediada em Delaware; e Odeoma Gestión SL, da Espanha. A situação expôs fragilidades na governança financeira do acordo e ampliou a pressão sobre a atual gestão da AFA, incluindo pedidos pela saída do presidente Claudio Tapia.

O caso promete desdobramentos relevantes tanto no campo institucional quanto no comercial, podendo impactar a credibilidade da entidade máxima do futebol argentino junto a patrocinadores internacionais.

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