A relação entre a Federação Argentina de Futebol (AFA) e um de seus principais patrocinadores atravessa um momento de forte tensão.
A plataforma Socios.com, blockchain especializada em conectar fãs a organizações esportivas, decidiu suspender os pagamentos previstos em contrato e condiciona qualquer retomada a mudanças estruturais na forma como os recursos são repassados, além de exigir uma auditoria completa das transferências realizadas desde 2021.
Segundo informações reveladas pela imprensa argentina, a empresa afirma ter investido mais de US$ 9 milhões no futebol argentino nos últimos anos. No entanto, de acordo com a companhia, apenas cerca de US$ 480 mil teriam sido efetivamente depositados nas contas da AFA. O restante dos valores teria circulado por meio de empresas intermediárias, muitas delas sediadas fora da Argentina.
Diante desse cenário, a companhia comunicou oficialmente que não aceitará mais realizar pagamentos por meio de terceiros. A partir de agora, qualquer repasse financeiro deverá ser feito diretamente à AFA, reconhecida como titular dos direitos comerciais previstos no contrato de patrocínio.
Entre as empresas que deixariam de receber recursos estão intermediárias como a Tourprodenter LLC, citada de forma recorrente na documentação analisada.
O posicionamento da Socios.com foi reforçado publicamente por seu CEO, Alexandre Dreyfus, que adotou um discurso firme ao explicar a decisão. De acordo com a empresa, nenhuma das entidades intermediárias envolvidas teria prestado serviços efetivos ou participado das negociações firmadas com a AFA, o que levanta questionamentos sobre a justificativa dos repasses.
“Nós nos recusamos a continuar financiando entidades offshore que não nos prestaram nenhum serviço. Exigimos uma auditoria completa e solicitamos que os pagamentos futuros sejam feitos diretamente à AFA”, declarou o executivo.
Além da Tourprodenter LLC, aparecem na lista de intermediárias companhias como Q22 Services Limited, registrada em Guernsey; Stratega Consulting USA LLC, sediada em Delaware; e Odeoma Gestión SL, da Espanha. A situação expôs fragilidades na governança financeira do acordo e ampliou a pressão sobre a atual gestão da AFA, incluindo pedidos pela saída do presidente Claudio Tapia.
O caso promete desdobramentos relevantes tanto no campo institucional quanto no comercial, podendo impactar a credibilidade da entidade máxima do futebol argentino junto a patrocinadores internacionais.






