Coluna

Retrospectiva: Stock Car entrega ano de problemas técnicos e patrocinadores em fuga

O que deveria ser um ano de renovação, rapidamente se transformou em um pesadelo para pilotos, equipes e, principalmente, para os investidores

Foto: Magnus Torquato

06 de janeiro de 2026

4 minutos de Leitura

Renan Camargo
Renan Camargo
Analista da indústria do esporte a motor do MKTEsportivo

A temporada 2025 da Stock Car foi marcada por grandes expectativas, mas também por uma série de problemas técnicos, dificuldades de segurança e uma crise de patrocinadores que vem afetando profundamente a imagem da categoria.

O que deveria ser um ano de renovação com a introdução dos SUVs e a substituição dos motores V8 por unidades de quatro cilindros turbinados, rapidamente se transformou em um pesadelo para pilotos, equipes e, principalmente, para os investidores.

Desde os primeiros sinais de problemas, com atrasos na entrega de peças e falhas mecânicas graves durante os testes, ficou claro que o ano seria um desafio. Nos bastidores, os times estavam em alerta, mas o pior parecia se confirmar quando, na véspera da primeira corrida, duas equipes ainda não tinham volantes, e apenas quatro carros conseguiram ligar sem problemas. Não era um bom presságio.

E com relação a isso, é impossível ignorarmos os efeitos devastadores que as falhas técnicas e de segurança tiveram nos patrocinadores. A confiança das marcas, que investem fortemente no automobilismo, foi profundamente abalada, o que resultou em uma série de saídas que reforçam a gravidade da crise que a categoria atravessa.

Lembro-me que no ano passado, o termo “inovar” era constantemente utilizado no discurso da nova gestão da categoria. Porém, o estudo e o tempo para fazer essa nova era acontecer eram profundamente escassos. Me parece que a ânsia de promover essa fase SUV estava acima da coordenação necessária para executá-la.

Também é preciso fazer uma reflexão importante: essa crise comercial não se deve exclusivamente aos problemas técnicos enfrentados pela organização. Claro que podem auxiliando em alguns casos.

No entanto, 2026 já seria complicado para o esporte a motor nacional em termos de patrocínio de qualquer maneira, devido à proximidade da Copa do Mundo, acompanhada da chegada e consolidação de grandes eventos esportivos no Brasil, como o retorno da MotoGP e a permanência da NFL em solo nacional.

Empresas como a Vivo, que vem apoiando a Stock Car e a Seleção Brasileira de Futebol, devem focar suas atenções na Copa, o que torna a renovação com a categoria incerta. Se a marca optar por concentrar seus investimentos no futebol, será mais um golpe para a competição, que já viu grandes nomes da indústria automobilística se afastarem.

Certezas e incertezas para o futuro

A saída de parceiros de longa data, como Ipiranga e Mobil, é um reflexo claro dessa crise. Ambas as empresas, que tinham uma rica história no esporte a motor nacional, não são apenas patrocinadoras, mas símbolos da tradição da Stock Car.

Além disso, a Shell, fornecedora de combustíveis e lubrificantes, também deverá reduzir seus investimentos na categoria, embora ainda não tenha confirmado a saída total. Se essa diminuição se concretizar, será mais um sinal de que até as grandes companhias estão reavaliando suas estratégias de patrocínio, em busca de mais retorno e estabilidade em um cenário de tantas incertezas.

E, como se isso não fosse o suficiente, a General Motors (GM), dona da Chevrolet e uma das principais parceiras da Stock Car, também deve reduzir sua participação na competição.

A crise enfrentada pela Stock Car em 2025 não se limita aos problemas técnicos ou à queda na qualidade das competições. Ela expõe uma falha estrutural na forma como a categoria tem sido gerida, especialmente em um momento de transição.

As saídas de patrocinadores de peso revelam que, enquanto a Stock Car atravessa sua pior crise, o mercado publicitário e as grandes empresas do setor estão se tornando cada vez mais cautelosos e exigentes. Elas buscam estabilidade, retorno e, acima de tudo, confiança, elementos que têm faltado à categoria.

O texto expressa a opinião do autor e não representa, obrigatoriamente, o posicionamento do MKTEsportivo.

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