Indústria

Villa Nova formaliza SAF e entrega gestão ao Boston City Group

Acordo aprovado pelo Conselho marca reestruturação financeira, novo modelo administrativo e projeto esportivo de longo prazo

Villa Nova formaliza SAF e entrega gestão ao Boston City Group

19 de janeiro de 2026

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O Villa Nova Atlético Clube deu um passo decisivo rumo à modernização de sua gestão e à reorganização institucional ao oficializar a venda de sua Sociedade Anônima do Futebol. A aprovação ocorreu em reunião do Conselho Deliberativo, realizada na semana passada, quando os conselheiros validaram de forma unânime a proposta apresentada pelo Boston City Group, conglomerado esportivo comandado pelo empresário mineiro Renato Valentim.

Apesar da mudança no modelo de gestão, a identidade do Villa Nova permanece preservada. As cores, o mascote, a sede em Nova Lima e o vínculo histórico com a cidade seguem garantidos por estatuto.

Com a formalização do acordo, o clube de Nova Lima passa a operar sob o modelo empresarial, adotando práticas de governança corporativa e planejamento de longo prazo. O projeto prevê investimentos que podem chegar a R$ 30 milhões ao longo de uma década, direcionados principalmente ao equilíbrio das contas, ao desenvolvimento das categorias de base, à melhoria da infraestrutura e à reconstrução da competitividade esportiva no cenário estadual.

Pelos termos definidos, o Boston City Group assume 90% da SAF, enquanto os 10% restantes permanecem vinculados ao Villa Nova Atlético Clube, conforme estabelece a legislação brasileira. Além do aporte financeiro escalonado, o novo controlador passa a ser responsável por toda a dívida consolidada da instituição, estimada em aproximadamente R$ 13 milhões.

A concretização da SAF é resultado de um processo iniciado em 2025, período em que o clube atravessava uma das fases mais delicadas de sua história. Naquele momento, Anísio Clemente Filho foi convidado a assumir a presidência em meio a um cenário de instabilidade administrativa, ausência de certidões negativas e grande dificuldade para atrair investidores. Desde o início, a condução da gestão foi pensada como transitória, com foco exclusivo na viabilização da SAF em diálogo com o Conselho Deliberativo e autoridades municipais.

No aspecto esportivo, o rebaixamento do time profissional no Campeonato Mineiro foi incorporado ao planejamento como parte do processo de reconstrução. A avaliação interna foi de que a queda de divisão permitiria maior margem de tempo para estruturar o clube, aliviar a pressão imediata por resultados e implementar mudanças profundas sem comprometer o projeto.

Ao assumir a administração, a diretoria encontrou um quadro de severa desorganização financeira, com mais de 150 credores entre ações trabalhistas, fornecedores e prestadores de serviços. Parte dessas obrigações sequer estava formalmente registrada, o que elevava os riscos jurídicos. Diante disso, o Villa Nova ingressou em recuperação judicial, medida que permitiu mapear os débitos, renegociar valores e estabelecer um plano viável de pagamento.

Com apoio especializado, a dívida trabalhista foi significativamente reduzida após negociações com representantes legais dos credores, todas acompanhadas por auditoria judicial e homologadas pela Justiça. A liberação de receitas retidas, como cotas de televisão, possibilitou o cumprimento das primeiras etapas do plano e a regularização documental do clube. Ao fim do processo de auditoria, o passivo total foi consolidado no montante agora assumido integralmente pela SAF.

A aprovação do modelo ocorreu em reunião com pauta única, na qual a diretoria alertou para o risco real de insolvência caso o clube não adotasse a SAF. Diante do diagnóstico apresentado, os conselheiros optaram pela mudança como única alternativa sustentável para garantir a continuidade do Villa Nova.

Nova fase

O projeto esportivo apresentado pelo novo controlador tem como base o fortalecimento das categorias de formação, alinhado à manutenção de um time profissional competitivo. A proposta segue o padrão já utilizado pelo grupo em outras operações, com foco na formação de atletas, valorização de ativos e uso do futebol profissional como vitrine para jovens talentos.

A infraestrutura também faz parte do planejamento. O clube conta com um centro de treinamento municipal moderno, ainda em fase de inauguração, além de um estádio apto a receber partidas de maior porte. O alinhamento com o poder público local é apontado como um dos pilares para o sucesso do projeto.

No curto prazo, as atenções se voltam para a disputa do Módulo II do Campeonato Mineiro, com início previsto para maio. Paralelamente, está nos planos o lançamento de um novo programa de sócio-torcedor e a busca pelo Certificado de Clube Formador já a partir de 2026.

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