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Comissário cobra avanços na diversidade após NFL encerrar temporada sem técnicos negros

Roger Goodell reconhece falhas nas contratações e afirma que a liga precisa ampliar oportunidades para minorias

Foto: Getty Images

04 de fevereiro de 2026

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O comissário da NFL, Roger Goodell, voltou a cobrar avanços nas políticas de diversidade da liga após mais um ciclo de contratações sem a nomeação de técnicos negros, mesmo diante do número recorde de dez vagas abertas entre as 32 franquias. A declaração foi feita durante a coletiva anual sobre o estado da liga, realizada às vésperas do Super Bowl LX.

“Temos feito progressos em várias áreas, inclusive na comissão técnica, mas ainda há muito trabalho pela frente. Precisamos continuar avançando”, afirmou Goodell, ao comentar o cenário atual e reconhecer que os resultados ainda estão aquém do esperado.

Apesar do discurso institucional, os números reforçam a dificuldade da NFL em ampliar a representatividade nos cargos mais altos. Atualmente, apenas quatro treinadores principais pertencem a minorias, sendo três negros: Aaron Glenn, DeMeco Ryans e Todd Bowles. No último ciclo, a liga registrou mudanças importantes, como as saídas de Raheem Morris e Mike Tomlin, além da demissão de Mike McDaniel, técnico de origem birracial. Mesmo com tantas movimentações, nenhuma franquia optou por um treinador negro.

O cenário reacendeu críticas de ex-jogadores, analistas e dirigentes, que apontam a falta de oportunidades reais como um dos principais entraves para a evolução do esporte fora das quatro linhas. Para esses grupos, o problema vai além da ausência de contratações e envolve processos internos, redes de influência e critérios pouco transparentes.

Na área administrativa, a representatividade apresenta números ligeiramente melhores, embora ainda distantes do ideal. Atualmente, quatro gerentes gerais negros comandam departamentos esportivos na liga: Andrew Berry, Brad Holmes, Ryan Poles e Ian Cunningham.

Durante a coletiva, Goodell voltou a defender a Regra Rooney, que obriga as equipes a entrevistarem candidatos de minorias para cargos de liderança. Segundo o comissário, a medida ampliou o alcance dos processos seletivos e ajudou a revelar talentos que antes não recebiam atenção. “A regra é vista de forma positiva pelos clubes. Ela amplia o olhar sobre os candidatos. A decisão final é das equipes, mas mostrou o valor de procurar profissionais onde antes talvez não procurassem”, explicou.

Ele também ressaltou que a competitividade da liga influencia diretamente as escolhas. “Os times querem vencer. Eles contratam quem acreditam ser a melhor opção. Nosso papel é garantir que todos tenham oportunidades justas de mostrar seu potencial”, completou.

Apesar dos avanços pontuais registrados nos últimos anos, o novo ciclo sem técnicos negros reforça que a diversidade continua sendo um desafio estrutural para a NFL. Especialistas avaliam que apenas entrevistas não garantem igualdade de oportunidades e defendem mudanças mais profundas nos processos de contratação. Com forte impacto social e midiático, a liga segue sob pressão para transformar discursos em ações concretas e consolidar sua imagem como uma instituição comprometida com inclusão e equidade

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