O Futebol Forte União (FFU), denominação adotada pela antiga Liga Forte União, tornou público um posicionamento oficial após o manifesto divulgado por integrantes da Série B do Campeonato Brasileiro na última sexta-feira. No documento inicial, as equipes apresentavam questionamentos sobre a condução administrativa da liga e sugeriam revisões em sua estrutura.
Na resposta, a organização sustenta que não houve paralisação nem redução na distribuição de recursos. De acordo com o FFU, cada participante da segunda divisão recebeu, em 2025, R$ 14,3 milhões, valor que representaria avanço superior a 50% na comparação com a temporada anterior. A entidade também ressalta que o calendário financeiro permitiu a liquidação completa dos repasses até julho.
Ao abordar o tema das finanças, o FFU recorda que parte dos clubes que assinaram o manifesto foi contemplada, há dois anos, com aportes que chegaram perto de R$ 890 milhões, provenientes da comercialização de fatias de direitos comerciais. Na avaliação da liga, tais quantias deveriam ter servido como base para reforçar o planejamento orçamentário das agremiações.
Pensando no próximo ciclo, a entidade afirma ter colocado à mesa uma proposta que inclui alterações regulatórias e um novo fluxo de pagamentos, com expectativa de aumento nos valores distribuídos. O montante, entretanto, não foi detalhado. Ainda segundo o comunicado, a análise do tema acabou postergada a partir de solicitação dos próprios clubes.
No campo institucional, o FFU defende que todas as decisões seguem parâmetros previstos em estatuto, com ritos formais para debate e votação. As reuniões, acrescenta a nota, são registradas e ficam acessíveis para consulta posterior pelos filiados.
O posicionamento é encerrado com a mensagem de que divergências fazem parte de qualquer iniciativa coletiva e que a organização segue disponível para tratar das demandas nos ambientes internos apropriados.
O que motivou o manifesto
Também na sexta-feira, 18 equipes ligadas ao bloco e presentes na Série B publicaram um texto conjunto em que demonstram insatisfação com a maneira como vêm sendo conduzidas as negociações comerciais e a administração dos contratos de mídia. Entre os pontos levantados aparecem pedidos por mais clareza nos processos e maior previsibilidade de receitas.
Os clubes argumentam ainda que a segunda divisão teria perdido protagonismo dentro das prioridades do FFU, enquanto a elite concentraria esforços por envolver uma disputa mais intensa com a Libra na venda de direitos.
O manifesto cita, inclusive, movimentos individuais recentes, como os acordos fechados por Náutico e São Bernardo diretamente com a CBF. Nessas tratativas, a confederação negociou as transmissões das partidas dos times como mandantes com plataformas ligadas ao grupo Globo, recolocando a emissora na exibição da Série B após ausência na temporada de 2024.
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelo FFU:
“O Condomínio Forte União tomou conhecimento da manifestação divulgada por clubes condôminos que disputarão a Série B de 2026 e considera necessário prestar esclarecimentos para ajustar informações que não refletem corretamente os fatos.
É incorreto afirmar que houve estagnação ou queda de receitas. Em 2025, o valor devido a cada clube da Série B, conforme regras aprovadas por aclamação em Assembleia Geral, foi de R$ 14,3 milhões, representando um crescimento superior a 50% em comparação com os valores praticados em 2024.
Em 2025, a entidade adotou um cronograma de pagamentos que resultou na quitação integral das receitas até o mês de julho. Além disso, os condôminos signatários da carta desta 6a feira receberam, há dois anos, investimentos que somaram aproximadamente R$ 890 milhões, decorrentes da aquisição de parte de seus direitos comerciais, recursos que deveriam ter contribuído para o fortalecimento do planejamento financeiro das instituições.
Ressalta-se, ainda, que para a temporada de 2026 foi apresentado aos clubes um cronograma de pagamentos acompanhado de proposta de ajuste de regras, com o objetivo de ampliar os valores a serem distribuídos. A aprovação dessa proposta foi postergada a pedido dos próprios clubes.
O Condomínio reafirma que todas as estratégias e negociações seguem rigorosamente as regras estatutárias de governança, com processos formais de deliberação, votação e assinatura, afastando de forma inequívoca qualquer alegação de opacidade. As assembleias são gravadas e seguem permanentemente disponíveis para consulta dos clubes, que, vale reforçar, são condôminos e sócios da entidade.
O Condomínio Forte União entende que debates são naturais e saudáveis em um projeto coletivo dessa dimensão e permanece à disposição para seguir dialogando com os clubes nos canais internos adequados, convicto da solidez do modelo adotado e de seu papel na valorização sustentável do futebol brasileiro e de seus clubes, independentemente da divisão.
Condomínio Forte União”





