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John Textor é afastado da Eagle após disputa interna e pressão financeira

Empresário perde controle operacional do grupo que reúne Botafogo, Lyon e Molenbeek em meio a pressão financeira

Foto: Victor Silva/Botafogo

24 de fevereiro de 2026

3 minutos de Leitura

A Ares Management afastou o empresário John Textor do comando da Eagle Football Holdings (EFH), holding que controla a SAF do Botafogo. Segundo o jornal francês L’Équipe, a destituição foi formalizada em 27 de janeiro de 2026, com base em cláusula contratual acionada em processo que tramita na Justiça britânica.

A decisão representa uma mudança relevante na governança do projeto multiclubes estruturado por Textor nos últimos anos. A Eagle reúne participações no Olympique Lyonnais, no Botafogo e no RWD Molenbeek, além de já ter mantido fatia acionária no Crystal Palace. Criada como base de um modelo de propriedade compartilhada no futebol internacional, a holding passa por uma reconfiguração em sua estrutura de comando.

Em agosto de 2025, Textor já havia deixado o cargo executivo que ocupava no Lyon, em meio a pressões financeiras e a um processo de reestruturação administrativa no clube francês. Embora tenha mantido participação societária por determinado período, sua saída da liderança da Eagle simboliza a perda do controle operacional do conglomerado.

O movimento ocorre paralelamente à cobrança formal de 425 milhões de euros (cerca de R$ 2,3 bilhões) emprestados pela Ares Management à holding para viabilizar a aquisição do Olympique Lyonnais, em 2022. De acordo com a imprensa europeia, cerca de 175 milhões de euros (aproximadamente R$ 950 milhões) foram amortizados após a venda da participação de Textor no Crystal Palace. A pressão financeira sobre a estrutura foi determinante para o desfecho.

Ainda segundo o L’Équipe, Textor tentou retomar o controle da holding antes de uma assembleia geral da Eagle Football Group, antiga OL Groupe, ao buscar destituir dois administradores independentes com apoio jurídico. A tentativa, no entanto, não prosperou diante da reação da empresária Michele Kang e do fundo credor, que comunicou o afastamento com efeito imediato.

Apesar da mudança na cúpula da holding, não houve alteração no controle do Botafogo. Textor permanece à frente da SAF do clube carioca. Qualquer modificação na estrutura administrativa dependerá de decisão do Conselho da SAF ou da eventual revogação da liminar em vigor no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que atualmente resguarda a composição do conselho.

O episódio aprofunda o ambiente de instabilidade no projeto multiclubes idealizado por Textor e levanta questionamentos sobre a sustentabilidade financeira e o futuro do modelo de gestão implementado pelo empresário no futebol internacional.

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