Indústria

LIV Golf acumula bilhões em aportes sauditas, mas projeta anos de prejuízo

O montante foi ampliado após um novo aporte de US$ 266 milhões realizado no início deste mês

Foto: Paul Childs/Action Images/Reuters

26 de fevereiro de 2026

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O investimento da Fundo Público de Investimento (PIF), da Arábia Saudita, na LIV Golf já alcança a marca de US$ 5,3 bilhões, consolidando o torneio como uma das iniciativas esportivas mais ambiciosas financiadas por um estado nos últimos anos.

O montante foi ampliado após um novo aporte de US$ 266 milhões realizado no início deste mês, conforme dados divulgados pelo Money in Sport.

A aposta no esporte faz parte de um movimento mais amplo de transformação econômica e de reposicionamento internacional do país do Oriente Médio. Ao investir em grandes eventos e competições globais, o fundo busca ampliar a presença saudita em mercados estratégicos e acelerar a modernização da economia nacional.

No caso da LIV Golf, a estratégia inicial foi agressiva: atrair jogadores de destaque do tradicional PGA Tour por meio de contratos milionários e premiações elevadas. O movimento desencadeou uma forte rivalidade entre os dois circuitos e provocou uma divisão inédita no golfe profissional.

Com o passar do tempo, representantes da LIV Golf e do PGA Tour iniciaram negociações para uma possível fusão de operações, numa tentativa de estabilizar o cenário da modalidade.

Apesar disso, o avanço das conversas enfrenta resistência significativa, especialmente por parte de atletas de elite que permanecem vinculados ao PGA Tour e demonstram preocupação com os rumos institucionais e competitivos do esporte.

Enquanto as tratativas seguem indefinidas, os aportes bilionários do fundo saudita reforçam o compromisso de longo prazo com o projeto. O desfecho das negociações poderá redefinir o equilíbrio de forças no golfe mundial e estabelecer um novo modelo de governança para a modalidade.

Além dos aportes extraordinários, estimativas indicam que a LIV Golf recebe injeções mensais próximas de US$ 100 milhões, o que representa aproximadamente US$ 1,2 bilhão por ano apenas para custear suas operações. O motivo é que o circuito ainda não gera receitas comerciais e de direitos de mídia suficientes para se sustentar de forma autônoma.

Caso esse ritmo de financiamento seja mantido, a projeção é de que os desembolsos do PIF com a liga atinjam a marca de US$ 6 bilhões até dezembro. O cenário reforça o perfil de investimento de longo prazo adotado pelo fundo, mesmo diante de resultados financeiros negativos no curto prazo.

Em entrevista recente ao Financial Times, o CEO da LIV Golf, Scott O’Neil, reconheceu que a competição deverá operar no vermelho pelos próximos cinco a dez anos. A declaração sinaliza que a expectativa interna já considera um período prolongado de maturação até que o projeto alcance equilíbrio financeiro.

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