Indústria

SOD Capital não conclui acordo e venda do potencial construtivo de São Januário é reaberta

Prefeitura reuniu autoridades e construtoras para destravar o processo nesta semana

Foto: Projeto/ Sergio Moreira Dias, Felipe Nicolau, Willian Freixo, Clarissa Pereira e Ana Carolina Dias

06 de fevereiro de 2026

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O Vasco havia chegado a um entendimento com a SOD Capital para a negociação do potencial construtivo do entorno de São Januário, etapa considerada central no plano de modernização do estádio. O acordo previa que a empresa do setor de investimentos assumiria a compra desse direito urbanístico, mas, após sucessivas extensões do prazo de pagamento, a SOD Capital comunicou que não conseguiria cumprir o que havia sido acertado com o Cruzmalltino.

Diante desse cenário, a prefeitura do Rio de Janeiro promoveu uma reunião para discutir os próximos passos do projeto e redefinir o futuro da operação. Na quarta-feira (4), o prefeito Eduardo Paes reuniu autoridades municipais, representantes do time carioca e empresas do setor da construção civil com o objetivo de destravar o processo de comercialização do potencial construtivo de São Januário.

A preocupação da prefeitura estava ligada aos entraves que vinham impedindo o avanço do projeto, o que levou Paes a comunicar aos empresários que, a partir de 12 de fevereiro, o potencial construtivo anteriormente direcionado à SOD Capital voltaria a ficar disponível no mercado.

Durante a reunião, estiveram presentes o vice-prefeito Eduardo Cavaliere, o vereador Pedro Duarte, o presidente do Vasco, Pedrinho, além de representantes de construtoras interessadas na negociação. No encontro, o prefeito buscou transmitir segurança jurídica aos potenciais compradores, sinalizando que o processo terá respaldo legal e previsibilidade para as empresas interessadas em adquirir o potencial construtivo da área.

Em paralelo, o vereador Pedro Duarte divulgou nas redes sociais que algumas negociações já estavam em andamento e que, com a mudança de cenário, essas tratativas podem avançar de forma mais objetiva rumo a um acordo para a compra desse direito urbanístico.

A área de São Januário possui um potencial construtivo estimado em 280 mil m², volume que não será utilizado integralmente pelo Vasco em seu próprio projeto. Por essa razão, o clube optou por comercializar parte desse potencial com construtoras, utilizando os recursos obtidos para financiar a reforma do estádio.

A compra de parte ou da totalidade desse potencial construtivo permite que o direito de edificação seja deslocado da área para outro local definido pela construtora interessada. Esse procedimento é possível graças à Operação Urbana Consorciada específica da região, instrumento criado pela prefeitura do Rio de Janeiro para viabilizar a transferência desse direito urbanístico.

As intervenções no estádio estavam inicialmente previstas para começar no primeiro semestre de 2026, e o Vasco chegou a firmar um acordo com o Botafogo para mandar seus jogos no estádio Nilton Santos durante o período de obras. No entanto, a própria agremiação já havia reconhecido que o cronograma sofreria atrasos em função das dificuldades enfrentadas na negociação com a SOD Capital.

A empresa havia sinalizado que poderia pagar um valor superior aos R$ 500 milhões solicitados pelo Vasco, mas os prazos acabaram sendo o principal obstáculo. O primeiro vencimento estava marcado para 15 de setembro, posteriormente adiado para 12 de dezembro, datas que não foram cumpridas, levando a SOD Capital a desistir do negócio no início deste ano.

No planejamento inicial, o Cruzmaltino trabalhava com uma estimativa de R$ 500 milhões para viabilizar a reforma de São Januário. Entretanto, após uma reavaliação interna, o clube ajustou os números e passou a considerar um novo patamar financeiro para o projeto. Segundo o ge, o valor considerado sustentável atualmente para a revitalização do estádio gira em torno de R$ 800 milhões, refletindo mudanças no escopo da obra e no cenário econômico do projeto.

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