- A indústria de apostas esportivas nos Estados Unidos alcançou, em 2025, a maior receita de sua história
- O setor movimentou US$ 16,96 bilhões no período, alta de 11% em relação ao ano anterior
- Apesar do avanço, há um novo foco de preocupação: o crescimento dos chamados mercados de previsão
A indústria de apostas esportivas nos Estados Unidos alcançou, em 2025, a maior receita de sua história. Segundo dados da American Gaming Association (AGA), o setor movimentou US$ 16,96 bilhões no período, alta de 11% em relação ao ano anterior. O volume total de apostas legais chegou a US$ 166,94 bilhões.
O desempenho reforça a consolidação do mercado regulado em nível estadual, com Nova York, Illinois e Nova Jersey mantendo protagonismo como principais polos de arrecadação e operação.
Apesar do avanço, a AGA aponta um novo foco de preocupação: o crescimento dos chamados mercados de previsão. Essas plataformas permitem que usuários negociem contratos atrelados a resultados de eventos esportivos sem a necessidade de licenças estaduais específicas para apostas. De acordo com relatório da entidade, esse modelo teria desviado mais de US$ 500 milhões em receitas tributárias potenciais apenas no último ano.
A diferença central está no regime fiscal. Operadoras tradicionais de apostas recolhem tributos estaduais, federais e, em alguns casos, tribais, estes últimos cobrados por nações indígenas reconhecidas como entidades soberanas. Já os mercados de previsão são submetidos exclusivamente à tributação federal.
Reguladores estaduais argumentam que essas plataformas operam, na prática, como casas de apostas, mas se apresentam juridicamente como ofertantes de produtos financeiros. Empresas como Kalshi e Polymarket permitem a compra de contratos vinculados a desfechos futuros, como o resultado de partidas esportivas. Estruturalmente, esses instrumentos funcionam como derivativos e estão sob supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC).
Esse enquadramento regulatório garantiu às companhias autorização para operar nos 50 estados norte-americanos, inclusive em mercados onde as apostas esportivas permanecem proibidas, como Califórnia e Texas.
A Kalshi sustenta que sua atuação está sujeita exclusivamente à jurisdição federal da CFTC, e não às legislações estaduais de jogos. O entendimento foi reforçado por parecer apresentado em tribunal federal de Nevada por Mike Selig, presidente da comissão.
A posição, no entanto, está longe de ser consensual. Críticos do modelo afirmam que os contratos oferecidos replicam a lógica das apostas esportivas e deveriam seguir as mesmas regras aplicáveis às operadoras licenciadas nos estados. Entre os opositores está Chris Christie, ex-governador de Nova Jersey e consultor estratégico da AGA, que sustenta que as plataformas de previsão estariam, na prática, burlando a legislação vigente.
O embate regulatório adiciona um novo capítulo à evolução do setor nos Estados Unidos, que combina expansão econômica, complexidade tributária e disputas jurídicas sobre os limites entre mercado financeiro e jogos de azar.






