- CBF inicia profissionalização dos árbitros no Brasil e envia contratos a 72 profissionais
- Profissionais passam a receber, já em março, o salário fixo integral previsto no novo modelo
- Entidade calcula um investimento total de R$ 195 milhões na arbitragem brasileira no biênio 2026/2027
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou, no fim da semana passada, o processo de formalização do Programa de Arbitragem Profissional para a temporada de 2026. Como parte desse movimento, a entidade encaminhou contratos a 72 profissionais da arbitragem, entre árbitros de campo, assistentes e responsáveis pelo VAR.
Após a assinatura, esses profissionais passam a receber, já em março, o salário fixo integral previsto no novo modelo. Além disso, a partir da 6ª rodada do Campeonato Brasileiro, programada para ocorrer entre os dias 14 e 16 de março, os designados também passam a contar com remuneração variável vinculada ao número de partidas em que atuarem. Os pagamentos mensais deverão ser realizados até o décimo dia útil de cada mês.
Dentro da nova estrutura, a CBF também assume integralmente o pagamento das taxas de arbitragem, que serão administradas por meio do Fundo Anual de Desenvolvimento da Arbitragem. Esse mecanismo reunirá os valores recolhidos pelos clubes referentes às taxas variáveis de cada profissional escalado.
As equipes continuarão responsáveis por essas quantias, mas o procedimento será diferente: em vez de transferir diretamente aos árbitros no dia da partida, os clubes passarão a repassar os valores mensalmente à confederação. A entidade, por sua vez, ficará encarregada de centralizar e distribuir os recursos. O fundo também será utilizado para financiar iniciativas voltadas à formação, capacitação e evolução da arbitragem nacional.
Além da formalização dos contratos, a CBF convidou os 72 profissionais contemplados pelo programa para participarem do primeiro encontro técnico da temporada. A atividade está marcada para ocorrer entre os dias 31 de março e 3 de abril, na Granja Comary, em Teresópolis.
Durante o período, estão previstos treinamentos físicos e técnicos, avaliações individuais, alinhamento de critérios de arbitragem e apresentações sobre novas ferramentas tecnológicas e metodologias aplicadas ao trabalho em campo e no vídeo. O encontro também busca promover integração entre os participantes e estabelecer padrões de atuação dentro do modelo profissional adotado pela entidade.
Para o Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra, “a profissionalização é algo que todas as gerações da arbitragem de futebol desejavam e sonhavam”.
A lista dos 20 árbitros principais selecionados pela CBF
• Alex Stefano
• Anderson Daronco
• Bráulio Machado
• Bruno Arleu
• Davi Lacerda
• Edina Batista
• Felipe Lima
• Flávio Souza
• Jonathan Pinheiro
• Lucas Casagrande
• Lucas Torezin
• Matheus Candançan
• Paulo Zanovelli
• Rafael Klein
• Ramon Abatti Abel
• Raphael Claus
• Rodrigo Pereira
• Savio Sampaio
• Wagner Magalhães
• Wilton Sampaio.
Além dos árbitros principais, o grupo reúne ainda 40 assistentes e 12 profissionais dedicados ao VAR. Todos serão contratados no formato de pessoa jurídica. Pelo tipo de vínculo estabelecido, a confederação não pode exigir exclusividade total, mas estabelece prioridade às atividades relacionadas à arbitragem.
Os valores fixos variam conforme a categoria do profissional, como no caso de árbitros vinculados ao quadro da Fifa ou apenas à CBF. Além do salário mensal, os integrantes do programa continuarão recebendo taxas por partida e poderão contar com bônus vinculados ao desempenho. A entidade, no entanto, não divulgou oficialmente os valores previstos para cada categoria.
Estimativas divulgadas pelo ge indicam que um árbitro central do quadro Fifa deve receber cerca de R$ 22 mil por mês como valor fixo, além de aproximadamente R$ 5,5 mil por jogo. Já um árbitro central vinculado apenas à CBF teria remuneração mensal em torno de R$ 16 mil, com taxa de R$ 4 mil por partida.
Para árbitros assistentes e profissionais do VAR pertencentes ao quadro Fifa, o valor fixo mensal seria de cerca de R$ 13,2 mil, com pagamento de R$ 3,3 mil por duelo. No caso de assistentes e VAR ligados à CBF, a estimativa é de R$ 10 mil mensais e taxa de R$ 2,5 mil por atuação.
O modelo de profissionalização adotado pela entidade foi desenvolvido a partir da análise de experiências aplicadas em ligas de países como Alemanha, Inglaterra e Espanha, além de referências da América Latina, como o México. A confederação criou um grupo de trabalho sobre arbitragem em novembro do ano passado, com a participação de clubes das Séries A e B, e calcula um investimento total de R$ 195 milhões na arbitragem brasileira no biênio 2026/2027.





