- O Irã não é a primeira seleção a desistir de sua participação na Copa do Mundo
- Embora a decisão chame atenção no cenário atual, desistências e boicotes fazem parte da história da competição
- Decisões políticas, disputas entre federações e até conflitos influenciaram diretamente quem estaria, ou não, em campo
O anúncio de que o Irã não participará da Copa do Mundo de 2026, em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos e Israel, reacende um capítulo recorrente na história do futebol: o das seleções que optaram por ficar fora do torneio por razões políticas, logísticas ou institucionais.
Embora a decisão iraniana chame atenção no cenário atual, desistências e boicotes fazem parte da história da competição desde a sua primeira edição, realizada em Uruguai, em 1930.
Naquela ocasião, a longa viagem até a América do Sul afastou a maioria das seleções europeias. Apenas França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia aceitaram atravessar o oceano para disputar o torneio.
O restante da competição foi composto principalmente por países sul-americanos, além de Estados Unidos e México. No fim, o título ficou com os anfitriões uruguaios após vitória sobre a Argentina na decisão.
A baixa adesão europeia teve reflexos diretos quatro anos depois. Campeão do primeiro Mundial, o Uruguai decidiu não defender o título na Itália. A ausência foi interpretada como uma forma de boicote, em resposta ao desinteresse demonstrado pelos europeus na edição anterior.
O clima de tensão entre os continentes voltou a aparecer às vésperas da Copa de 1938. A decisão da FIFA de sediar o torneio na França, rompendo a expectativa de alternância de sedes entre Europa e América do Sul, provocou protestos de federações sul-americanas.
Como resultado, Argentina e Uruguai desistiram da competição, sendo acompanhados por outros países da região. O Brasil optou por disputar o campeonato e terminou na terceira colocação.
Outro caso emblemático envolve a Inglaterra e as demais seleções da Grã-Bretanha. Apesar de o país ser considerado o berço do futebol moderno, as federações britânicas inicialmente não davam grande importância à Copa do Mundo. Somente em 1950, quando o torneio foi disputado no Brasil, essas seleções passaram a integrar oficialmente a competição.
A edição de 1950 também registrou desistências por razões logísticas. O alto custo das viagens levou França, Portugal, Irlanda e Turquia a abrirem mão da participação. Já a Argentina decidiu não disputar o torneio em protesto contra a escolha do Brasil como sede, após acreditar que teria prioridade para organizar o evento depois do cancelamento das Copas de 1942 e 1946 por causa da Segunda Guerra Mundial.
Décadas depois, outro movimento coletivo marcou a história da competição. Em 1966, 16 seleções africanas iniciaram um boicote às eliminatórias organizadas pela FIFA para a Copa do Mundo de 1966, disputada na Inglaterra.
As federações do continente protestavam contra a falta de uma vaga direta para a África na fase final do torneio. A pressão acabou surtindo efeito: na Copa de 1970, no México, o continente passou a contar com uma vaga garantida.
O próprio Irã também já havia protagonizado uma desistência antes da atual decisão. Durante a Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980, a FIFA determinou que os envolvidos no conflito não poderiam atuar como mandantes em seus territórios por questões de segurança.
Enquanto os iraquianos aceitaram disputar partidas em países neutros, como Kuwait e Arábia Saudita, os iranianos rejeitaram a medida e acabaram fora da edição de 1986, realizada no México.
Ao longo de quase um século, a Copa do Mundo tem sido muito mais que uma simples competição. Em diversos momentos, decisões políticas, disputas entre federações e até conflitos armados influenciaram diretamente quem estaria, ou não, em campo.





