- Presidente da CBF garante que não haverá o bordão “Vai, Brasa” no uniforme da Seleção Brasileira
- Samir Xaud afirma que foi surpreendido com a campanha da Nike e reforça manutenção da identidade brasileira, citando veto à camisa vermelha
- Levantamento aponta que 75% das menções à campanha da fornecedora foram negativas
A campanha ‘Vai, Brasa‘, desenvolvida pela Nike para divulgar o uniforme da Seleção Brasileira visando a Copa do Mundo 2026, gerou forte repercussão negativa nas redes sociais. Levantamento conduzido pela professora da FGV, Lilian Carvalho, em parceria com a Polis Consulting, analisou cerca de 180 mil publicações e apontou que 75% das menções foram desfavoráveis, enquanto apenas 3% tiveram tom positivo.
Em meio a esse cenário, o presidente da CBF, Samir Xaud, informou que pretende solicitar a troca do termo “Brasa” por “Brasil” no uniforme.
Ao comentar o caso à ESPN, o dirigente destacou a necessidade de preservar elementos ligados à identidade nacional e relembrou decisões tomadas no início de sua gestão, em 2025, quando vetou a produção de uma camisa vermelha para a equipe. Segundo ele, há distinção entre ações publicitárias conduzidas pela fornecedora e o posicionamento institucional da entidade.
“Primeiramente, nós temos que dividir o que a Nike, que é a maior patrocinadora da seleção brasileira faz em relação ao ser marketing, em relação a um contrato que nós pegamos de uma gestão anterior, para o que a nova gestão da CBF acha. Meu conhecimento, a partir do momento que entrei no primeiro mês de gestão da CBF, nós nos debruçamos em cima de assuntos importantes. Vocês acompanharam comigo a questão da camisa vermelha. É algo que de princípio nós já barramos, porque eu sei da nossa identidade e da nossa cultura como torcedores”, iniciou Xaud.
“Sempre falei dessa questão do patriotismo: independentemente de lado político, não estamos aqui para fazer política em cima do futebol, principalmente em cima da CBF. Fui pego um pouco de surpresa. O que me foi apresentado inicialmente não tinha ‘Brasa’, mas sabíamos que havia uma campanha publicitária que seria feita no pré-Copa em relação a isso”, completou o presidente da CBF.
CBF garante que manterá a identidade da Seleção Brasileira
Na sequência, Xaud explicou que a ação envolvendo o termo “Brasa” partiu de uma iniciativa específica da fornecedora e não altera os padrões oficiais do uniforme. Ele reforçou que a identidade visual tradicional será mantida e indicou que a entidade acompanha o tema desde a divulgação da campanha.
“Mas, de antemão, pelo respeito que eu tenho com a bandeira do Brasil, que todos já sabem, e pelo respeito que eu tenho pela seleção brasileira, não tem ‘Brasa’ no nosso uniforme principal. Isso foi feito em relação à Nike para essa campanha publicitária isoladamente, mas deixo claro que o nosso uniforme é o nosso manto, é o verde e amarelo, sempre deixo isso claro, e não vai ter essa questão de ‘Brasa’”, disse.
O dirigente também afirmou que a repercussão pública foi monitorada antes de um posicionamento definitivo, indicando que a entidade aguardou um retorno da parceira comercial.
“O segundo ponto: fomos pegos um pouco de surpresa. A gente esperou essa repercussão, ver o que iam falar, esperamos um pouco esse feedback da nossa patrocinadora, mas estou hoje aqui tentando esclarecer e tranquilizar toda a nação brasileira que isso não confere, não vai ter ‘Brasa’ no nosso uniforme”, garantiu.
“Não, não vai ter, até porque isso é respeito. Eu falo muito em respeito em relação ao nosso uniforme e à nossa bandeira, e o nosso nome é ‘Brasil’. Então, vai ter ‘Brasil’ no nosso meião, e não ‘Brasa’”, complementou.
CBF vê uso da Jordan Brand como estratégia para ampliar alcance global do uniforme
Xaud afirmou que a escolha da presença da Jordan Brand na camisa reserva não gerou incômodo dentro da entidade. Para ele, a utilização do logotipo vinculado a Michael Jordan deve ser vista sob a ótica de marca global, e não apenas pela figura do ex-jogador de basquete.
O dirigente entende que a parceria pode contribuir para ampliar a visibilidade internacional do uniforme brasileiro e atrair novos acordos comerciais.
“A principio não gerou um incômodo (a logomarca da Jordan Brand). Pegamos um contrato (com a Nike) da outra gestão, tivemos reuniões e, naquele primeiro momento queríamos esclarecer tudo. Não vejo a Jordan como a pessoa [Michael Jordan], e sim como a marca, que é muito grande”, declarou o presidente da CBF.
“No processo de internacionalização, isso é importante para trazer credibilidade para a CBF e seleção, trazendo parceiros grandes. Vimos (o uso do logo da Jordan Brand) como questão de marketing estratégico, tanto é que não tem (o logo) na camisa amarela”, concluiu Xaud.
A estreia do uniforme principal está prevista para o amistoso diante da Croácia, marcado para a próxima terça (31), no Camping World Stadium, em Orlando. Já o modelo reserva, na cor azul, será utilizado pela primeira vez no confronto contra a França, em partida programada para esta quinta-feira (26), no Gillette Stadium, em Boston.





