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A ligação com o futebol brasileiro que rendeu R$ 1,7 bilhão ao Shakhtar Donetsk

Sob influência de Mircea Lucescu, o Shakhtar apostou em jovens brasileiros e uniu sucesso esportivo e retorno financeiro

Foto: Getty Images

13 de abril de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • O Shakhtar Donetsk transformou o futebol brasileiro em um dos pilares de seu modelo esportivo e financeiro nas últimas duas décadas
  • Desde o início dos anos 2000, o clube já contratou cerca de 60 jogadores brasileiros, apostando principalmente em jovens talentos com alto potencial de valorização.
  • Além dos resultados esportivos, o Shakhtar acumulou mais de R$ 1,7 bilhão com a venda de jogadores brasileiros

O Shakhtar Donetsk consolidou, ao longo das últimas duas décadas, uma das relações mais emblemáticas entre um clube europeu e o futebol brasileiro. Desde o início dos anos 2000, a equipe ucraniana se aproxima da marca de 60 contratações de jogadores brasileiros, transformando-se em um verdadeiro polo de desenvolvimento e exportação de talentos.

Nomes como Willian, Fernandinho, Fred, Elano e Douglas Costa simbolizam essa conexão. Todos chegaram jovens ao clube, ganharam protagonismo no cenário internacional e, posteriormente, foram negociados com grandes equipes da Europa , movimento que ajudou o Shakhtar a arrecadar mais de €318 milhões (≈ R$ 1,7 bilhão) em vendas, segundo dados do Transfermarkt.

A explicação para essa forte ligação passa, sobretudo, por um nome: Mircea Lucescu. O técnico romeno, que comandou o clube entre 2004 e 2016, foi o principal arquiteto de uma mudança estrutural no modelo de recrutamento. Em vez de competir por jogadores já consolidados no mercado europeu, Lucescu apostou na prospecção de jovens talentos brasileiros, enxergando no país uma combinação rara de qualidade técnica, potencial de valorização e custo acessível.

A partir dessa estratégia, o Shakhtar passou a montar elencos com forte presença brasileira — em alguns momentos, com mais de dez atletas simultaneamente. Jogadores como Fernandinho, Willian, Douglas Costa, Alex Teixeira e Luiz Adriano foram lapidados no clube antes de darem o salto para ligas mais competitivas.

O impacto esportivo foi imediato. Sob o comando de Lucescu, o Shakhtar conquistou títulos relevantes, com destaque para a Copa da UEFA 2008–09, além de consolidar sua hegemonia no cenário nacional. Paralelamente, o clube se firmou como uma plataforma de valorização de ativos, equilibrando desempenho esportivo e sustentabilidade financeira.

Mesmo após a saída de Lucescu, em 2016, o modelo foi mantido como parte da identidade do clube. Atualmente, o elenco segue refletindo esse legado, com presença significativa de jogadores brasileiros, reforçando a continuidade de uma política que se tornou estrutural.

Um episódio curioso reforça a conexão indireta entre o treinador romeno e o futebol brasileiro. Após se destacar pela seleção da Romênia na Copa do Mundo de 1970, Lucescu esteve próximo de atuar pelo Fluminense, em uma negociação que acabou não se concretizando.

Dessa forma, o Shakhtar Donetsk não apenas estreitou laços com o Brasil, mas redefiniu seu posicionamento no futebol europeu. Ao transformar talento em ativo e estratégia em vantagem competitiva, o clube ucraniano construiu um modelo de sucesso que atravessa gerações — e que segue vivo mesmo após o fim do ciclo de seu principal idealizador.

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