- A Premier League tem 80% de seus clubes sob controle estrangeiro na temporada 2025/26.
- Levantamento do MKT Esportivo evidencia como a Premier League se tornou um dos ativos mais globalizados do esporte.
- A chegada de Abramovich ao Chelsea em 2003 ajudou a transformar a Premier League em referência global de negócios no futebol
A Premier League entra em sua reta final na temporada 2025/26 com a disputa pelo título entre Arsenal e Manchester City ponto a ponto, em mais um capítulo da competitividade que consolidou a liga inglesa como uma das mais fortes (e também mais globalizadas) do futebol mundial.
O MKT Esportivo realizou um levantamento sobre a estrutura de propriedade dos 20 clubes da Premier League na temporada 2025/26, que mostra que 80% das equipes são controladas por capital estrangeiro. Apenas quatro seguem sob comando inglês: Brighton, Brentford, Tottenham e West Ham.
O domínio mais expressivo é de investidores norte-americanos, presentes em 11 clubes: Arsenal, Aston Villa, Burnley, Bournemouth, Chelsea, Crystal Palace, Fulham, Everton, Leeds United, Liverpool e Manchester United, reflexo da crescente presença dos Estados Unidos no futebol europeu.
Já Manchester City e Newcastle United representam o avanço dos fundos soberanos do Oriente Médio, controlados, respectivamente, por Abu Dhabi e Arábia Saudita. Completam o mapa de propriedade da liga os controles europeus de Nottingham Forest e Sunderland, além do capital chinês no Wolverhampton Wanderers.
Até o início dos anos 2000, a Premier League era majoritariamente composta por clubes sob comando de empresários locais, famílias tradicionais e estruturas acionárias domésticas. Esse cenário começou a mudar de forma decisiva em 2003, quando o bilionário russo Roman Abramovich comprou o Chelsea por cerca de £140 milhões (R$ 910 milhões) e inaugurou uma nova era no futebol inglês.
Mais do que a aquisição, o impacto veio com o volume de investimentos. Ao longo de sua gestão, Abramovich injetou mais de £1,5 bilhão (R$ 9,7 bilhões) no clube londrino, redefinindo parâmetros de gastos com contratações, salários e infraestrutura. O Chelsea tornou-se símbolo de um novo modelo em que capital privado passou a influenciar diretamente o equilíbrio competitivo da liga.
A transformação ganhou nova escala em 2005, quando a família Glazer concluiu a compra do Manchester United por cerca de £790 milhões (R$ 5,1 bilhões), em uma operação alavancada que transferiu dívidas relevantes para o próprio clube e gerou forte contestação entre torcedores. Ainda assim, o negócio consolidou a internacionalização do capital na Premier League.
O processo se aprofundou em 2008, com a aquisição do Manchester City pelo Abu Dhabi United Group por cerca de £210 milhões (R$ 1,36 bilhão), dando origem a um dos projetos esportivos mais ambiciosos do futebol moderno. Desde então, os investimentos ligados ao clube ultrapassaram bilhões em reforços e estrutura, enquanto o valor dos ativos explodiu.
Segundo a Sportico, o Manchester United hoje é avaliado em US$ 6,47 bilhões (R$ 37 bilhões), o Manchester City em US$ 5,7 bilhões (R$ 32,6 bilhões) e o Chelsea em US$ 4 bilhões (R$ 23 bilhões) — cifras que ilustram como os clubes ingleses deixaram de ser apenas instituições esportivas para se tornarem ativos globais altamente valorizados.
Mais do que uma mudança societária, trata-se de uma transformação estrutural que redefiniu a economia do futebol e ajudou a posicionar a Premier League como a liga mais rica e globalizada do planeta.
A entrada de capital estrangeiro também ajudou a impulsionar a expansão comercial da liga. O aumento da competitividade e a presença de proprietários com visão global fortaleceram o valor internacional da Premier League, ampliando receitas com direitos de transmissão, patrocínios e alcance de marca. Hoje, a liga negocia contratos bilionários de mídia e distribui receitas de forma mais equilibrada do que rivais europeus, modelo que ajudou a sustentar sua força esportiva e financeira.





