- O Corinthians recorreu a adiantamentos de receitas no mês de fevereiro para equilibrar o fluxo de caixa e cumprir compromissos financeiros imediatos
- O primeiro aporte ocorreu no dia 27 de fevereiro, quando a agremiação obteve R$ 46,9 milhões, antecipando valores previstos em contrato
- O clube paulista movimentou mais de R$ 70 milhões enquanto tenta reestruturar passivo de R$ 2,7 bilhões
O Corinthians recorreu a adiantamentos de receitas de patrocínio no mês de fevereiro para equilibrar o fluxo de caixa e cumprir compromissos financeiros imediatos. Ao todo, o clube paulista antecipou mais de R$ 70 milhões por meio de duas operações distintas.
De acordo com a ESPN, o primeiro aporte ocorreu no dia 27 de fevereiro, quando a agremiação obteve R$ 46,9 milhões junto à patrocinadora máster Esportes da Sorte, antecipando valores previstos em contrato.
Em seguida, o Corinthians viabilizou outro adiantamento, desta vez relacionado ao acordo com a Nike. A operação foi estruturada por meio do Banco Daycoval, resultando em um repasse de R$ 23,75 milhões.
Os dados constam em documentos anexados ao processo do Regime de Centralização de Execuções (RCE), que tramita na Justiça de São Paulo. O diretor financeiro do clube, Emerson Piovesan, confirmou as antecipações em entrevista, ressaltando que os valores já estavam previstos em contrato.
Na última quarta-feira (22), a Laspro, empresa responsável pela administração judicial do RCE, destacou em relatório enviado ao tribunal que a operação com o banco resultou no aumento da dívida do Corinthians com a instituição financeira.
“A análise da variação do passivo circulante, com base no balancete patrimonial, evidencia que o saldo da conta ‘empréstimos’ evoluiu de R$ 361,4 milhões em janeiro para R$ 381,9 milhões em fevereiro, indicando aumento bruto do endividamento no período. Destaca-se, nesse contexto, a elevação específica das obrigações junto ao Banco Daycoval, cujo saldo passou de R$ 111,3 milhões para R$ 132,1 milhões, refletindo a contratação de novas operações financeiras, notadamente aquelas vinculadas à antecipação de recebíveis e captação de recursos para suportedo fluxo de caixa”, disse a administradora.
Na prática, o clube transformou receitas futuras em capital imediato. Os recursos serão quitados posteriormente com acréscimo de juros e encargos.
Por fim, o cenário financeiro do Corinthians segue delicado. A dívida total gira em torno de R$ 2,7 bilhões, embora a diretoria esteja em processo de reestruturação. No âmbito do RCE, o Timão já conseguiu a homologação de um plano que prevê a quitação de até R$ 700 milhões em débitos judiciais ao longo de um período de dez anos.





