- Corinthians registrou déficit de R$ 143,4 milhões em 2025 e encerrou o ano com dívida total de R$ 2,75 bilhões.
- As receitas operacionais chegaram a R$ 863,6 milhões, impulsionadas por direitos de transmissão, receitas comerciais e bilheteria.
- Auditoria independente apontou inconsistências contábeis e questionou efeitos de um acordo tributário que teria impactado o resultado em R$ 593,2 milhões.
O Corinthians divulgou seu balanço financeiro referente à temporada de 2025 com números que evidenciam a pressão sobre as contas do clube. O resultado líquido do exercício apresentou déficit de R$ 143,441 milhões, ampliando o patrimônio líquido negativo da instituição para R$ 774,194 milhões. No ano anterior, o passivo a descoberto era de R$ 425,212 milhões.
O endividamento consolidado, considerando obrigações de curto e longo prazo, alcançou R$ 2,75 bilhões, reforçando o cenário de fragilidade financeira enfrentado pelo clube paulista. As contas foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo na última segunda-feira (27), por 106 votos favoráveis contra 68 contrários.
A aprovação ocorreu mesmo após recomendações com ressalvas emitidas pelo Conselho Fiscal, pelo Cori e pela auditoria independente responsável pela análise das demonstrações financeiras.
Apesar do resultado negativo, o Corinthians manteve forte capacidade de geração de receitas. A arrecadação operacional bruta atingiu R$ 863,685 milhões em 2025. Os direitos de transmissão seguiram como principal fonte financeira, somando R$ 233,855 milhões, praticamente no mesmo nível registrado no exercício anterior.
As receitas comerciais, envolvendo patrocínios, publicidade e ações de marketing, totalizaram R$ 252,163 milhões. O montante ficou abaixo dos R$ 277,626 milhões contabilizados em 2024, período impactado por receitas extraordinárias previstas em contratos comerciais.
A operação da Neo Química Arena teve papel relevante no desempenho financeiro. A arrecadação com bilheteria cresceu 26% e chegou a R$ 118,597 milhões, impulsionada por média de 41.840 torcedores pagantes por partida. Já o programa Fiel Torcedor gerou R$ 61,74 milhões ao clube.
Por outro lado, a negociação de atletas apresentou forte retração. As vendas de direitos econômicos renderam R$ 107,405 milhões, queda de 68% em relação aos R$ 338,421 milhões registrados em 2024.
Do lado das despesas, os maiores impactos vieram da folha salarial. Os custos com pessoal e encargos sociais alcançaram R$ 571,179 milhões ao longo da temporada. Além disso, o clube registrou despesas financeiras líquidas de R$ 58,107 milhões, pressionadas principalmente por juros, empréstimos e correções monetárias.
A atual gestão, liderada por Osmar Stábile desde maio de 2025, atribuiu parte do resultado negativo a ajustes contábeis ligados a exercícios anteriores. Segundo o relatório da administração, os números refletem revisões realizadas durante o processo interno de reestruturação financeira.
Entre os movimentos destacados pela diretoria está o acordo tributário firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A negociação consolidou débitos estimados em R$ 1,27 bilhão por um valor final de R$ 678,9 milhões, considerado um dos principais passos dentro do plano de reorganização financeira do clube.
Ainda assim, a auditoria da Parker Russell Brasil emitiu parecer com ressalvas. O documento aponta limitações na análise da estrutura financeira da arena, inconsistências em controles ligados a caixa e fornecedores e questionamentos sobre o reconhecimento antecipado dos efeitos da transação com a PGFN.
Segundo os auditores, o procedimento teria elevado artificialmente o resultado do exercício em aproximadamente R$ 593,2 milhões. Mesmo diante das observações, a diretoria corintiana sustenta que o modelo associativo permanece viável e afirma que as medidas em andamento, incluindo o Regime Centralizado de Execuções (RCE), podem conduzir à recuperação financeira sem necessidade de transformação em SAF.





