- Diretor do Corinthians projeta pagamento de dívida bilionária em cinco anos e vê SAF como caminho positivo
- Emerson Piovesan demonstra confiança em plano de ação às vésperas do balanço de 2025
- Timão figura entre os maiores devedores de impostos municipais em São Paulo
O Corinthians aparece entre os maiores devedores de impostos municipais em São Paulo e acumula uma dívida total de R$ 2,7 bilhões, incluindo valores ligados à Neo Química Arena. Diante desse cenário, o clube se aproxima da divulgação do balanço financeiro de 2025 em meio a um ambiente interno movimentado, mas com a diretoria sinalizando confiança nas medidas adotadas para reorganizar as finanças.
A expectativa nos bastidores é de que os números reforcem a estratégia em andamento, baseada em controle de gastos e reestruturação de compromissos. Mesmo com o tamanho da dívida, a avaliação interna é de que há um plano em execução para enfrentar os desafios do caixa, buscando dar previsibilidade ao fluxo financeiro nos próximos anos.
O Timão recorreu ao Regime de Centralização de Execuções para organizar o pagamento de cerca de R$ 190 milhões a diferentes credores. Além disso, firmou um acordo na Câmara Nacional de Resolução de Disputas envolvendo R$ 76 milhões em pendências com clubes, agentes e atletas.
Outro ponto relevante foi o acerto com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que envolvia R$ 1,2 bilhão em débitos e resultou em redução para R$ 679 milhões após descontos aplicados sobre juros e encargos.
“Hoje a dívida total está em R$ 2,7 bilhões, já incluindo o estádio. Com a transação tributária que nós fizemos, tivemos um ganho tributário de R$ 217 milhões. Então R$ 2,5 bilhões, que ainda tem alguma coisa de juros que a gente paga”, declarou Emerson Piovesan, atual diretor financeiro do Corinthians, em entrevista ao podcast Alambrado Alvinegro.
“Os juros são muito altos. Só na Arena são CDI+2 (cerca de 16,5%). Isso tem um encargo bastante grande no crescimento da dívida. A gente tem uma dívida de curto prazo por volta de R$ 180 milhões, que é uma dívida que tem que pagar até o final do ano, considerando inclusive as parcelas da RCE, da CNRD. Isso ainda deve abaixar mais um pouco por dentro da RCE nós termos valores retidos judicialmente que vamos fazer um leilão reservo para negociar e pagar os credores”, acrescentou.
Corinthians projeta quitar dívida em cinco anos
Piovesan voltou à diretoria financeira em 2025 e tem demonstrado confiança na condução do ajuste, desde que o clube mantenha uma política de austeridade.
“Se a gente seguir o nosso planejamento, dá para pagar em cinco anos”, afirmou o dirigente.
Ele também explicou que o clube tem priorizado uma gestão mais rígida, com foco inicial na quitação de débitos e sem novos gastos relevantes. Segundo Piovesan, a ideia é reduzir o peso financeiro antes de retomar investimentos.
O dirigente comentou sobre mudanças em outras áreas do clube, incluindo a redução de investimentos nos esportes olímpicos, medida associada ao impacto do endividamento atual. A decisão busca adequar os custos à realidade financeira, com a possibilidade de retomada no futuro, caso o cenário seja equilibrado.
“Estamos mudando toda a parte de esportes olímpicos do clube, fazendo algumas reduções. É polêmico, mas é a realidade hoje. Faço isso hoje, mas amanhã posso ter tudo outra vez e melhor, com recursos e tudo, mas hoje não tenho. Não adianta querer assumir certas coisas e depois acontecer o que está acontecendo”, disse.
“Que nós herdamos e tendo que pagar as dívidas. De tudo o que a gente tem que pagar dá R$ 180 milhões. Já pagamos R$ 80 milhões (Matias Rojas e Santos Laguna). Não dá para parar o clube e simplesmente não fazer mais nada. Tem contrato para honrar. Chega lá e tem 80 moleques na base que não serve para nada, tem que reduzir. Mas tem contrato e custa dinheiro. Como você faz para tirar? Tudo custa dinheiro. E onde está o dinheiro?”, questionou.
Transformação em SAF surge como um dos caminhos para o Corinthians
Ao abordar o futuro institucional, Piovesan também citou a possibilidade de mudança no modelo de gestão, avaliando que uma eventual transformação em SAF pode trazer vantagens, especialmente do ponto de vista tributário.
A discussão envolve a manutenção do controle interno, sem a entrada de investidores externos, com a estrutura vinculada ao Parque São Jorge.
“Com os tempos os clubes vão ter que virar SAF. Tributariamente é muito melhor do que ser clube social. Eu sou favorável a ser uma SAF Corinthians, não ter gente externa”, concluiu o dirigente.





