- O Flamengo passou a utilizar relatórios detalhados de arbitragem, conhecidos como “scout do apito”, para mapear o perfil dos árbitros antes de cada partida
- o material é entregue à comissão técnica e aos jogadores, com dados como média de cartões, faltas, pênaltis e comportamento do VAR
- A iniciativa, revelada por Luiz Eduardo Baptista, busca antecipar cenários e ajustar a estratégia conforme o estilo de arbitragem
O Flamengo passou a investir de forma estratégica na análise de dados sobre arbitragem como parte da preparação para seus jogos. Segundo o ge, relatórios detalhados com o perfil dos árbitros são entregues ao técnico Leonardo Jardim antes de cada partida.
A iniciativa foi revelada pelo presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, em entrevista ao podcast oficial da FlaTV. De acordo com o dirigente, o levantamento busca mapear padrões de comportamento dos árbitros em diferentes contextos de jogo.
“A gente avalia os árbitros contra eles mesmos. Como apitam para o time da casa e para o visitante, quais critérios utilizam e como reagem às situações. Assim, conseguimos entender qual perfil de arbitragem favorece determinados cenários, seja no Maracanã ou fora de casa”, explicou.
Apesar da declaração, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reforça que as preferências dos clubes não influenciam na escalação dos árbitros.
O uso desse tipo de informação, no entanto, não é inédito no futebol. Em temporadas anteriores, o Flamengo contou com o ex-árbitro Sálvio Spínola para orientar atletas. O modelo atual, chamado internamente de “scout do apito”, evoluiu para relatórios mais robustos (com cerca de 20 páginas) distribuídos à comissão técnica e aos jogadores desde o segundo semestre de 2025.
Outros clubes brasileiros também já adotaram práticas semelhantes, como o Cruzeiro, pioneiro em 2023, e o Botafogo, que implementou o sistema em 2025.
O scout de arbitragem consiste em uma análise detalhada do perfil de cada juiz, reunindo dados como média de cartões, número de faltas marcadas, frequência de pênaltis e até o comportamento do VAR. O objetivo é oferecer uma leitura mais precisa sobre como a partida tende a ser conduzida.
No caso do Flamengo, o estilo de jogo ofensivo e de alta intensidade impacta diretamente essa análise. Com presença constante no campo adversário, a equipe costuma sofrer muitas faltas, o que eleva o número de interrupções e pode levar árbitros a adotarem uma postura mais rigorosa disciplinarmente.
Outro ponto relevante é a incidência de lances dentro da área. Pelo volume ofensivo, aumenta a probabilidade de pênaltis, especialmente quando o árbitro tem perfil mais intervencionista. Além disso, o fator casa no Maracanã também entra na equação, já que a pressão da torcida pode influenciar o ritmo das decisões.
Com esse tipo de abordagem, o Flamengo busca não apenas antecipar o comportamento da arbitragem, mas também ajustar sua estratégia em campo, evidenciando como o uso de dados se consolida como uma ferramenta cada vez mais relevante no futebol moderno.





