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Menor número de inscritos no Draft desde 2003 expõe como o NIL mudou o caminho até a NBA

O menor número de inscritos em mais de duas décadas revela como o NIL vem alterando o caminho dos prospectos rumo à NBA

Foto: Phelan M. Ebenhack

30 de abril de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Com apenas 71 inscritos, o Draft da NBA de 2026 registra o menor número de early entrants (inscritos antecipados para o Draft) desde 2003 e expõe o impacto do mercado bilionário do NIL na formação de talento
  • A possibilidade de lucrar milhões na NCAA tem levado prospectos a adiar a ida para a liga, esvaziando uma classe antes tratada como potencialmente histórica.
  • A geração de 2026, comparada à histórica classe de LeBron James em 2003, pode perder profundidade com talentos permanecendo no college basketball

O Draft da NBA de 2026 caminha para entrar para a história por um motivo incomum: a escassez de candidatos. Com apenas 71 jogadores inscritos como early entrants (inscritos antecipados para o Draft), a classe registra o segundo menor número da era moderna e o menor total desde 2003, de acordo com a ESPN, em um dado que expõe uma transformação estrutural no caminho de formação rumo à liga.

Do total, 60 jogadores vieram do basquete universitário e apenas 11 do cenário internacional, recorte que reforça como o fenômeno afeta tanto a NCAA quanto o pipeline global de talentos. A retração é significativa. Em 2025, foram 106 inscrições; em 2024, 201; em 2023, 242; em 2022, 283. O contraste se torna ainda mais simbólico diante de 2021, quando um recorde de 353 atletas havia se declarado para o Draft.

A principal explicação para essa queda está na ascensão dos contratos de NIL (Name, Image and Likeness, modelo que permite a atletas universitários lucrar com direitos de nome, imagem e semelhança), que alteraram a lógica econômica do basquete universitário. Com patrocínios, acordos comerciais e coletivos milionários, muitos prospectos passaram a enxergar mais valor em permanecer na NCAA do que antecipar a ida à NBA , sobretudo atletas projetados fora do topo da primeira rodada, que antes viam o Draft como caminho natural.

Os números ajudam a dimensionar essa mudança. Estudo da Opendorse estima US$ 932,5 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em gastos com atletas do college basketball (masculino e feminino) na temporada 2025/26, transformando o ambiente universitário em um ecossistema bilionário. Em muitos casos, a permanência no campus hoje pode ser financeiramente mais atrativa do que contratos two-way ou posições incertas na liga.

Duas das principais estrelas da próxima geração ilustram esse novo cenário. AJ Dybantsa tem receitas via NIL estimadas em US$ 4,2 milhões (cerca de R$ 21 milhões), com relatos de um pacote próximo de US$ 7 milhões (R$ 35 milhões) em BYU. Cameron Boozer é projetado em torno de US$ 2,2 milhões (R$ 11 milhões), enquanto Darryn Peterson aparece na faixa de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 7,5 milhões), completando o trio tratado como cabeça de uma geração inicialmente apontada por especialistas como uma das mais talentosas da história recente.

Paradoxalmente, o mesmo ambiente que elevou a expectativa sobre a classe de 2026 também contribuiu para esvaziá-la. Muitos atletas optaram por permanecer mais um ano no college, alterando a percepção sobre a profundidade do Draft e alimentando discussões sobre um possível Draft shrinking, um Draft menor, mais seletivo e concentrado em talentos verdadeiramente de elite. E o número de 71 ainda pode cair, já que parte dos jogadores pode retirar a candidatura antes do prazo final para preservar a elegibilidade universitária.

Mais do que uma curiosidade estatística, o movimento expõe uma mudança estrutural no basquete norte-americano. Pela primeira vez em décadas, a ida imediata à NBA deixou de ser, para muitos jovens talentos, o caminho automaticamente mais vantajoso. Não por acaso, o fortalecimento do NIL e o represamento de prospectos já reabrem debates sobre uma possível volta da entrada direta do ensino médio para a liga (hipótese que parecia superada, mas volta a circular nos bastidores).

Há uma ironia evidente nesse cenário. O Draft de 2026 chegou a ser apontado por especialistas como uma classe potencialmente comparável (ou até superior) à histórica geração de 2003, liderada por LeBron James, Carmelo Anthony, Chris Bosh e Dwyane Wade, com AJ Dybantsa, Cameron Boozer e Darryn Peterson como rostos de uma nova safra de elite. Mas a decisão de muitos prospectos de permanecer na NCAA pode redefinir essa percepção e reduzir justamente a profundidade que fazia dessa geração algo tratado como especial.

Se por décadas o Draft foi visto como destino inevitável dos maiores talentos, 2026 sugere uma inversão relevante: talvez a NBA esteja deixando de ser o primeiro passo para se tornar, cada vez mais, uma etapa posterior.

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