Indústria

Mulheres avançam na gestão esportiva internacional, mas seguem longe do topo das federações

Estudo da SIGA aponta crescimento da presença feminina em cargos executivos, mas mostra baixa representatividade nas funções de maior poder

Yane Marques, vice-presidente do COB. Foto: Rafael Bello/COB

13 de abril de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • As mulheres já ocupam 32% dos cargos executivos nas principais federações olímpicas de verão.
  • O número mostra avanço, com 21 entidades acima de 30% de participação feminina.
  • Ainda assim, a presença nos cargos de presidência e chefia segue baixa.

A presença feminina nos cargos de liderança do esporte internacional avançou nos últimos anos, mas ainda está distante de um cenário de equilíbrio nos postos de maior influência. É o que mostra o levantamento mais recente da Aliança Global pela Integridade do Esporte, que analisou a composição dos órgãos executivos das 30 federações vinculadas à Associação das Federações Internacionais Olímpicas de Verão.

De acordo com o estudo, as mulheres ocupam atualmente 32,02% das posições executivas nessas entidades. O percentual indica avanço em relação aos ciclos anteriores e reforça uma tendência gradual de maior participação feminina nos espaços de governança do esporte global.

Apesar do crescimento, o recorte evidencia que o comando das principais estruturas ainda permanece majoritariamente masculino. A presença de mulheres em cargos de presidência e chefia executiva segue limitada, especialmente nas posições com maior poder de decisão institucional.

Entre as federações analisadas, 21 já atingiram ou superaram a marca de 30% de participação feminina em seus órgãos executivos. O dado é visto como um sinal de amadurecimento em políticas de diversidade e renovação de lideranças dentro do esporte olímpico.

O principal destaque do levantamento é a World Athletics, que atingiu pela primeira vez a paridade de gênero em seu órgão executivo, com divisão de 50% para mulheres e 50% para homens.

Outras oito federações também se aproximam de um cenário de maior equilíbrio, com participação feminina entre 40% e 50%. É o caso da Fédération Équestre Internationale, que registra 47,62% de mulheres em cargos executivos; da International Table Tennis Federation, com 45,45%; e da World Rugby, que aparece com 41,67%.

Ao mesmo tempo, o estudo aponta um retrocesso em posições de topo. O número de mulheres na presidência de federações internacionais caiu nos últimos dois anos, assim como a presença feminina em cargos de CEO e secretaria-geral, o que indica que o avanço ainda não chegou de forma consistente às esferas mais estratégicas.

A leitura da entidade é de que a evolução nos quadros executivos precisa ser acompanhada de medidas estruturais para garantir continuidade. Entre os caminhos apontados estão políticas permanentes de diversidade, metas claras de inclusão, programas de mentoria e ações de desenvolvimento de lideranças.

O relatório também reforça que ampliar o acesso de mulheres a redes de formação e espaços de decisão será determinante para transformar avanços pontuais em mudanças duradouras dentro da governança esportiva.

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