- A NASCAR confirmou Steve O’Donnell como novo CEO e Ben Kennedy como diretor de operações para a sequência da temporada 2026.
- Pela primeira vez em 78 anos, a categoria será comandada por um executivo fora da família France.
- A reestruturação ocorre após meses de turbulência institucional e disputas jurídicas envolvendo equipes da categoria.
A NASCAR anunciou uma reformulação em sua estrutura de liderança para a continuidade da temporada 2026. Steve O’Donnell foi confirmado como novo CEO da organização, enquanto Ben Kennedy passa a ocupar o cargo de diretor de operações. A mudança encerra um ciclo iniciado em 2018, com a saída de Jim France da função executiva principal, embora ele permaneça como presidente do conselho da entidade.
A movimentação representa um marco histórico para a categoria. Pela primeira vez em 78 anos, a NASCAR será comandada por um executivo que não pertence à família France, fundadora da organização e responsável pela condução da categoria desde sua criação.
Com trajetória de mais de 30 anos dentro da NASCAR, Steve O’Donnell construiu carreira nas áreas de competição, marketing e gestão esportiva. Nomeado presidente da organização em março de 2025, o executivo agora assume o principal cargo da estrutura administrativa em um momento de reposicionamento estratégico da categoria.
“Acho que seria um pouco presunçoso da minha parte chegar e dizer logo de cara: ‘aqui está o plano’. O que vou fazer é sair e ouvir bastante, principalmente nos primeiros 90 dias. Temos tantas pessoas talentosas no setor com quem quero conversar para saber o que eles enxergam e quais são as oportunidades”, disse O’Donnell em entrevista aos canais oficiais da NASCAR.
O novo CEO destacou que a prioridade será aproveitar a estabilidade comercial construída nos últimos anos para planejar o futuro da categoria, especialmente no campo de mídia, audiência e relacionamento com parceiros.
“A ótima notícia é que temos uma base incrível. Temos um ótimo contrato de transmissão. Temos licenças de transmissão garantidas, um calendário sólido. Então, todos esses elementos essenciais estão presentes, e agora é hora de usar isso para ver como podemos tornar a NASCAR um esporte imperdível no futuro”, afirmou.
Segundo O’Donnell, o atual momento marca o início de uma nova fase estrutural da organização, voltada à consolidação de longo prazo do produto esportivo.
“Acho que todos reconhecemos que temos algo muito bom para construir, mas vamos conversar sobre como será daqui a cinco anos e fazer as mudanças necessárias, porque isso levará tempo”, comentou.
Além da mudança na presidência executiva, a NASCAR também ampliou as atribuições de Ben Kennedy. Aos 34 anos, o ex-piloto e antigo vice-presidente executivo de inovação em eventos assume agora a direção operacional da categoria, passando a atuar diretamente na relação com montadoras, parceiros comerciais e na dinâmica estratégica do campeonato.
Kennedy já vinha ganhando espaço nos últimos anos por liderar projetos ligados à modernização do calendário, experiências para fãs e novos formatos de evento. A promoção reforça o movimento da NASCAR em direção a uma gestão mais conectada com transformação de produto e expansão comercial.
As alterações acontecem poucos meses após outro episódio relevante nos bastidores da categoria. No início de 2026, Steve Phelps deixou o cargo de comissário após um período marcado por desgastes internos, disputas jurídicas e críticas relacionadas às negociações do sistema de franquias da NASCAR até 2031.
O cenário ganhou maior tensão após a ação antitruste movida pela 23XI Racing, equipe ligada a Michael Jordan, e pela Front Row Motorsports, ampliando a pressão sobre a condução institucional da categoria.
Com a nova configuração executiva, a NASCAR busca iniciar um ciclo de estabilidade administrativa em meio às discussões sobre expansão comercial, fortalecimento do produto audiovisual e relacionamento com equipes, fabricantes e patrocinadores.





