- A NBA amplia sua estratégia no Brasil ao usar licenciamento para se posicionar além do esporte, com foco em moda, cultura e lifestyle.
- Roger Ahlgrimm, executivo da NBA, destaca o papel das collabs na conexão com novos públicos, especialmente mulheres e gerações mais jovens.
- Parcerias como a com a NV refletem um movimento estruturado que combina relevância cultural, autenticidade e expansão no varejo.
A NBA tem aprofundado sua estratégia de licenciamento no Brasil com foco na expansão de sua presença para além do esporte. A mais recente colaboração com a NV evidencia um movimento mais amplo da liga: consolidar-se como uma marca de lifestyle, conectada a moda, cultura e comportamento, e não apenas ao consumo esportivo tradicional.
O lançamento da coleção marca um novo território dentro do portfólio de parcerias locais, ao incorporar um olhar mais sofisticado e direcionado ao público feminino, um segmento que ganha relevância crescente na estratégia da liga no país.
“A gente enxerga a NBA há bastante tempo como uma marca que transcende o esporte e conversa com cultura, entretenimento, música e, claro, moda. Quando olhamos para o Brasil, existe um dado muito relevante: cerca de 40% da nossa base de fãs no país é composta por mulheres, segundo estudos de mercado que acompanhamos. Isso mostra que existe uma audiência feminina extremamente relevante e engajada, que quer se relacionar com a NBA de maneiras diferentes”, disse Roger Ahlgrimm, Diretor Sênior de Licenciamento e Varejo da NBA no Brasil, em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo.
“A parceria com a NV vem justamente nesse contexto. É uma colaboração que conversa com uma consumidora que talvez já acompanhe a liga, mas também com mulheres que se identificam com moda e lifestyle e podem passar a enxergar a NBA de uma forma nova. Mais do que criar produto, é sobre gerar conexão cultural e mostrar que a marca pode estar presente em diferentes momentos da vida do fã”, acrescentou.
A ampliação da presença da NBA no território da moda segue uma lógica estratégica de diversificação, acompanhando a evolução do comportamento do consumidor e o reposicionamento da liga como ativo cultural global. Historicamente associada ao streetwear, a NBA passou a expandir sua atuação para diferentes segmentos do setor, buscando dialogar com públicos distintos sem comprometer seus códigos originais.
Esse movimento envolve a construção de um portfólio mais amplo de colaborações, no qual cada parceiro opera como um ponto de entrada específico dentro de universos como moda urbana, varejo tradicional e segmentos premium. Ao mesmo tempo, a liga se beneficia de um contexto em que seus próprios ativos, como a exposição dos atletas fora das quadras, passaram a influenciar tendências e consolidar sua relevância dentro da indústria da moda.

“É um movimento bastante intencional. O streetwear tem uma conexão histórica e muito autêntica com a NBA e continua sendo extremamente importante para a gente. Mas o universo da moda é muito amplo e nossos fãs também são diversos. Nos últimos anos, buscamos expandir nossa atuação para diferentes territórios, sempre respeitando a identidade de cada parceiro. A colaboração com a NV mostra justamente essa versatilidade da marca NBA: conseguimos estar presentes tanto em coleções mais urbanas quanto em propostas mais sofisticadas e femininas, sem perder autenticidade. Isso reflete também o momento da liga globalmente, cada vez mais inserida em conversas de moda, basta olhar para a relevância dos túneis de chegada dos jogadores, por exemplo, que viraram vitrines de estilo”, afirmou o executivo.
Licenciamento como estratégia de expansão cultural
A definição de parceiros para projetos de licenciamento no Brasil tem seguido critérios cada vez mais estruturados por parte da NBA, refletindo a consolidação do país como um dos principais mercados da liga fora dos Estados Unidos.
Em vez de priorizar apenas escala ou capilaridade de distribuição, a estratégia passa por identificar marcas capazes de interpretar o contexto cultural local e traduzir os códigos da NBA de forma consistente para diferentes públicos.
Esse processo envolve equilibrar alcance comercial com aderência de marca, em um cenário no qual o licenciamento deixa de ser uma simples extensão de produto e passa a operar como ferramenta de posicionamento.
A maturidade do mercado brasileiro, combinada à sua relevância em consumo e engajamento, também elevou o país a um papel de referência dentro da operação global da liga, especialmente no desenvolvimento de iniciativas de varejo e na expansão de ativos próprios, como as lojas oficiais.
“O primeiro ponto é autenticidade. A gente busca parceiros que tenham conexão real com seu público e que consigam traduzir a essência da NBA de forma relevante para o mercado local. Também avaliamos o potencial de distribuição e escala, claro, mas sem abrir mão da identidade cultural. O Brasil é um mercado extremamente criativo e temos buscado marcas que entendam comportamentos locais e tragam uma leitura brasileira para essas collabs. Um ponto importante é que o Brasil virou um mercado estratégico para a NBA global quando falamos de varejo e licenciamento inclusive sendo referência para expansão de NBA Stores na América Latina. Isso mostra a maturidade do mercado brasileiro e o potencial dessas parcerias”, comentou Roger.
A consolidação do país como hub relevante para licenciamento também está diretamente ligada à capacidade de geração de demanda e à resposta do consumidor local, que tem se mostrado aberto a novas interpretações da marca.
Moda como porta de entrada para novos públicos
As colaborações passaram a ocupar um papel estruturante na estratégia de crescimento da NBA, ao ampliar os pontos de contato com o consumidor para além do consumo esportivo tradicional.
Ao avançar sobre territórios como moda e lifestyle, a liga expande seu alcance e estabelece conexões com públicos que não necessariamente têm o basquete como porta de entrada, reforçando sua presença em diferentes contextos de consumo e comportamento.
“Esse impacto é muito relevante. Muitas vezes, a moda funciona como porta de entrada para novos públicos. Nem todo mundo conhece a NBA primeiro pelo jogo, algumas pessoas chegam pela música, pela cultura pop, por creators, por moda e lifestyle. Essas colaborações ajudam a ampliar o alcance da marca e criam novos pontos de contato com consumidores que talvez ainda não acompanhem basquete regularmente. E isso é especialmente importante quando falamos de público feminino e de gerações mais jovens, que se relacionam com marcas de maneira muito mais transversal. Nosso papel é justamente construir esse ecossistema onde o fã pode se conectar com a NBA de várias formas”, destacou.
O modelo evidencia uma mudança na forma como ligas esportivas constroem relevância, com menor centralidade na transmissão e maior presença em diferentes pontos de contato com o consumidor ao longo do dia.
O novo papel das collabs
A evolução das colaborações da NBA no Brasil tem sido acompanhada por um processo contínuo de aprendizado sobre comportamento de consumo, posicionamento de marca e construção de valor em diferentes territórios. Além de ampliar presença no varejo, a liga passou a estruturar suas parcerias a partir de uma lógica que combina relevância cultural, leitura de público e diversificação de segmentos, entendendo que o licenciamento deixou de ser apenas uma frente comercial para se tornar uma ferramenta estratégica de conexão com o fã.

Esse movimento envolve desde a adaptação a diferentes linguagens, do streetwear ao premium, até a integração com iniciativas proprietárias, como a expansão das lojas físicas e a criação de experiências imersivas, refletindo uma mudança na forma como o consumidor brasileiro se relaciona com marcas globais.
“O consumidor brasileiro valoriza collabs que tenham propósito e autenticidade. Não basta apenas colocar um logo em um produto, as pessoas querem narrativas relevantes e produtos que façam sentido culturalmente. Outro aprendizado importante é entender como diferentes segmentos respondem à marca. Já tivemos experiências em territórios mais urbanos, em varejo tradicional e agora em moda feminina premium, e isso mostra a amplitude da NBA no Brasil. Além disso, iniciativas como a expansão das NBA Stores e projetos proprietários como a NBA House reforçam como o fã brasileiro busca experiências cada vez mais completas com a marca. As collabs acabam sendo uma extensão natural dessa estratégia de conexão cultural”, finalizou Roger.






