Indústria

Premier League mantém liderança financeira, mas lucros seguem restritos a poucos clubes

Altos custos operacionais e novas regras pressionam modelo econômico da liga inglesa

Foto: Getty Images

22 de abril de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A Premier League segue como a liga mais lucrativa do mundo, mas apenas quatro clubes registraram lucro na última temporada.
  • Altos custos e regras financeiras mais rígidas levaram clubes a adotarem estratégias alternativas para equilibrar as contas.
  • Mesmo com receitas recordes, o desafio de transformar faturamento em lucro segue como um dos principais pontos de atenção da liga.

A Premier League segue como a competição nacional mais rentável do futebol mundial, impulsionada por contratos robustos de mídia e patrocínio. Ainda assim, o equilíbrio financeiro permanece um desafio: na última temporada, apenas quatro clubes fecharam o ciclo com lucro líquido positivo.

Diante da pressão para cumprir as regras de rentabilidade e sustentabilidade, equipes adotaram soluções alternativas para ajustar seus balanços, incluindo operações internas como a venda de ativos, estádios e equipes femininas, para empresas ligadas aos próprios proprietários. O cenário deve passar por mudanças com a introdução de um novo mecanismo regulatório, o índice de custo do elenco, que limitará os gastos com salários, transferências e comissões a 85% da receita.

Entre os poucos resultados positivos, o destaque foi o Newcastle United, que registrou lucro de £ 34,73 milhões, revertendo prejuízos anteriores e alcançando seu primeiro resultado positivo desde a aquisição pelo fundo soberano da Arábia Saudita. O crescimento foi sustentado por um avanço relevante nas receitas comerciais, com alta de 44%.

O Aston Villa também fechou no azul, com £ 17,03 milhões, beneficiado pela participação em competições europeias e por um salto expressivo em receitas comerciais. Mesmo assim, acabou penalizado pela UEFA, que desconsiderou receitas provenientes de transações internas ao avaliar o cumprimento das regras financeiras.

Completam o grupo de clubes lucrativos o Bournemouth e o Liverpool. Este último, apesar de lucro mais modesto (£ 8,27 milhões), liderou a geração de receita total, ultrapassando £ 700 milhões, impulsionado também por eventos realizados em seu estádio, como shows de Taylor Swift.

Na outra ponta, o Chelsea registrou o maior prejuízo da história da liga, com perdas de £ 262,44 milhões, mesmo com receitas elevadas. O aumento expressivo das despesas operacionais e limitações estruturais de estádio contribuíram para o resultado negativo.

O Manchester City também fechou no vermelho, com £ 9,92 milhões, influenciado pela queda nas receitas de transmissão e desempenho esportivo abaixo do esperado em competições continentais. O clube ainda responde a um conjunto de acusações relacionadas a possíveis violações financeiras.

Outros tradicionais, como Tottenham e West Ham, também registraram prejuízos relevantes, reforçando a dificuldade de equilibrar crescimento esportivo e sustentabilidade financeira.

Nesse contexto, a necessidade de adaptação às regras tem levado clubes a decisões estruturais. O Everton, por exemplo, utilizou a venda de ativos para empresas relacionadas como forma de gerar receita e atender aos critérios regulatórios. Já o Arsenal apresentou leve prejuízo, impactado principalmente por perdas em negociações de jogadores.

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