Indústria

Projeto bilionário do Santa Cruz desmorona após saída de investidores

Presidente do clube lamenta fim de parceria da Cobra Coral Participações e tenta atrair novos aportes para reestruturação

Foto: Rafael Vieira/AGIF

24 de abril de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A saída do grupo Cobra Coral Participações do projeto de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Santa Cruz transformou entusiasmo em decepção
  • A iniciativa, que prometia reestruturar o futebol do time pernambucano, acabou não avançando além das etapas iniciais
  • Apesar do cenário adverso, o presidente do clube afirma que a agremiação já se movimenta em busca de novos investidores dispostos a assumir o controle da SAF

A saída do grupo Cobra Coral Participações do projeto de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Santa Cruz transformou entusiasmo em decepção dentro do clube.

O presidente Bruno Rodrigues, que há pouco mais de um ano celebrava publicamente a assinatura do acordo vinculante como um marco histórico para a instituição, agora descreve o momento como de “frustração total”. O projeto acabou não avançando além das etapas iniciais.

“Realmente, ali foi o dia mais feliz de minha vida e acho que depois foi aquele que a gente subiu contra o América-RN (para a Série C). Naquele momento, foi a melhor proposta. Eu estava e estou convencido que a única solução para o Santa Cruz e para o futebol brasileiro é a SAF. A gente não tinha outro caminho. Mas existe, realmente, um sentimento de frustração, frustração total”, disse o dirigente ao ge.

“Eu acreditava muito no que se estava caminhando, a gente estava muito bem assessorado. A gente fez todas as análises. Infelizmente o lado de lá não performou. Se você me perguntar ‘você se arrepende?’. Eu não tinha como adivinhar que ia acontecer isso. Eu não me arrependo do movimento da SAF. Eu talvez me arrependa dos parceiros que chegaram. Não estou fazendo crítica pessoal. Mas sim falando do processo”, completou.

A parceria com o grupo Cobra Coral Participações foi oficialmente encerrada, embora ainda não haja clareza sobre os motivos que levaram ao rompimento. A definição sobre como será conduzido o distrato, se de forma amigável ou por vias judiciais, segue em aberto.

Apesar do cenário adverso, o presidente afirma que o clube já se movimenta em busca de novos investidores dispostos a assumir o controle da SAF.

A proposta original previa um plano ambicioso de geração de valor, estimado em até R$ 1 bilhão ao longo de 15 anos. Esse modelo, segundo Bruno Rodrigues, continua sendo a base das negociações com possíveis interessados, embora ajustes possam ser feitos em pontos sensíveis do acordo.

Durante o período em que o acordo esteve vigente, a Cobra Coral Participações investiu cerca de R$ 8 milhões no Santa Cruz. O valor foi destinado, principalmente, à condução de um processo de mediação extrajudicial com credores, que alcançou mais de 300 atendimentos.

Agora, esse montante deverá ser ressarcido por um eventual novo grupo que venha a assumir a SAF. Além da devolução do investimento inicial, os futuros acionistas também deverão assumir compromissos imediatos, como a quitação de salários atrasados de funcionários, jogadores e membros da comissão técnica.

A expectativa da diretoria do Santa Cruz é que, apesar do revés, o interesse de novos grupos mantenha viva a possibilidade de reestruturação financeira e esportiva do clube.

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