- A presença no EA Sports FC também se tornou fonte relevante de receitas para as grandes ligas do futebol europeu.
- Levantamento do MKT Esportivo indica que a Premier League lidera os pagamentos da Electronic Arts, com acordo estimado em £81 milhões por ano.
- Os acordos reforçam como os direitos digitais e a exposição global se tornaram novos ativos estratégicos para o futebol profissional.
O EA Sports FC (antiga franquia FIFA), consolidou-se como a principal franquia de simulação de futebol do mercado global e também como uma poderosa vitrine comercial para ligas, clubes e marcas. O lançamento do EA Sports FC 26, que alcançou 10 milhões de cópias vendidas em menos de duas semanas após chegar ao mercado em setembro de 2025, reforçou a dimensão desse ecossistema e o peso do game como plataforma de exposição internacional.
Mais do que entretenimento, estar presente no jogo tornou-se um ativo estratégico para as principais competições do futebol mundial. A inclusão no título amplia alcance de marca, fortalece conexão com públicos jovens e impulsiona a popularidade de clubes e ligas em mercados onde os direitos de transmissão ainda estão em expansão.
Levantamento do MKT Esportivo, com base em estimativas de mercado e informações de Reuters, SportBusiness e The Athletic, mostra que a Premier League lidera com folga entre os contratos de licenciamento com a Electronic Arts. As projeções apontam um acordo na casa de £81 milhões por ano (cerca de R$ 515 milhões) com a liga inglesa, cifra que evidencia seu valor estratégico dentro do ecossistema do jogo.
Na sequência aparece a La Liga, com parceria estimada em US$ 30,5 milhões anuais (aproximadamente R$ 152 milhões). Já a Bundesliga teria receitas entre US$ 15 milhões e US$ 30 milhões por temporada (entre R$ 75 milhões e R$ 150 milhões), enquanto a Serie A receberia entre US$ 15 milhões e US$ 25 milhões por ano (cerca de R$ 75 milhões a R$ 125 milhões).

A Ligue 1 aparece em patamar abaixo, com pagamentos estimados entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões por temporada (de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões). Fora do top-5, a Liga Portugal teria um contrato mais modesto, na faixa de US$ 3 milhões a US$ 8 milhões anuais (aproximadamente R$ 15 milhões a R$ 40 milhões).
Os acordos vão além do uso de nomes oficiais e escudos. Envolvem marcas, troféus, identidade visual, ativos comerciais e, em muitos casos, integrações com eSports e ativações promocionais. Isso ajuda a explicar por que ligas como Premier League e LaLiga passaram a tratar videogames como extensão relevante de suas estratégias de mídia e internacionalização.
Para a Electronic Arts, esses contratos são parte central da proposta de valor do produto. O realismo proporcionado pelo licenciamento oficial sustenta tanto as vendas anuais da franquia quanto receitas recorrentes ligadas ao Ultimate Team e microtransações. Somados os custos com ligas, clubes, FIFPro e torneios continentais, estimativas de mercado indicam que o gasto com direitos digitais pode superar R$ 1,5 bilhão por ano.
O movimento reforça uma transformação mais ampla: videogames deixaram de ser apenas um canal de entretenimento para se consolidarem como uma nova frente de monetização e distribuição global para o futebol profissional. Em um mercado cada vez mais guiado por propriedade intelectual, engajamento digital e alcance internacional, os direitos de licenciamento no EA Sports FC passaram a valer como ativos estratégicos — e bilionários.





