- O futebol feminino de elite na Europa vive um ciclo de forte expansão econômica
- Levantamento mostra que Arsenal, Chelsea, Manchester City, Manchester United, Barcelona, Real Madrid e Lyon, já operam com um orçamento combinado que ultrapassa € 160 milhões
- O estudo aponta que essas equipes somaram mais de € 125 milhões em receitas conjuntas na temporada 2024/2025
O futebol feminino de elite na Europa vive um ciclo de forte expansão econômica. Um levantamento da Intelligence 2P, unidade de dados da plataforma 2Playbook, mostra que Arsenal, Chelsea, Manchester City, Manchester United, FC Barcelona Femení, Real Madrid Femenino e Olympique Lyonnais Féminin, já operam com um orçamento combinado que ultrapassa € 160 milhões.
O estudo aponta que essas equipes somaram mais de € 125 milhões em receitas conjuntas na temporada 2024/2025, consolidando um cenário em que a estrutura financeira da modalidade se torna cada vez mais robusta e profissionalizada.
De acordo com a análise, o principal motor dessa expansão é a operação comercial, especialmente a venda de produtos licenciados e os contratos de patrocínio. Juntas, essas duas fontes representaram cerca de 66% do faturamento total dos sete clubes, movimentando € 63,7 milhões.
Na média, cada clube feminino de elite europeu gerou aproximadamente € 14 milhões por temporada, reforçando o avanço da monetização direta da marca dos times.
O modelo de crescimento se assemelha, em termos estruturais, ao impacto dos direitos de transmissão no futebol masculino, embora ainda em estágio inicial de maturação.
Entre os clubes analisados, o destaque individual é o Chelsea. Ao separar a estrutura financeira da equipe feminina da masculina, o clube inglês registrou € 18,8 milhões apenas em receitas de patrocínio, o maior volume do continente e superior ao faturamento total de várias equipes rivais.
Esse desempenho reforça a capacidade de clubes com marcas globais de acelerar o desenvolvimento da modalidade por meio de estratégias comerciais mais agressivas.
Apesar do crescimento, a arrecadação em dias de jogo ainda representa uma das principais oportunidades de expansão.
O Arsenal W.F.C. lidera esse segmento, com cerca de € 7 milhões arrecadados ao utilizar regularmente o Emirates Stadium. O valor é aproximadamente o dobro do registrado por Chelsea (€ 3,5 milhões) e Barcelona (€ 3,75 milhões).
Diante disso, o clube inglês já anunciou que passará a disputar todos os jogos no Stamford Bridge a partir da próxima temporada. Já o Barcelona projeta aumento de receita com o retorno ao Camp Nou.
O Real Madrid Femenino ainda atua no centro de treinamento de Valdebebas e registrou cerca de € 1 milhão em bilheteria no período analisado. A folha salarial dos sete clubes também acompanha o crescimento do setor, totalizando € 83,7 milhões em 2024/2025, com média de € 12 milhões por equipe.
Clubes com presença constante nas fases finais da Liga dos Campeões, como Chelsea, Lyon, Barcelona e Arsenal, ultrapassam individualmente a marca de € 13 milhões em salários.
O Chelsea se destaca novamente como maior investidor, com € 17 milhões destinados à folha salarial, além de despesas significativas com contratações e administração, que chegam a € 12,2 milhões.
Apesar da escalada de receitas, o futebol feminino europeu ainda convive com déficits operacionais em diversos clubes. A diferença entre receitas e despesas evidencia que o modelo de negócios ainda está em consolidação.
Alguns clubes, no entanto, já apresentam resultados mais equilibrados. Arsenal, Barcelona e Manchester United conseguiram operar com superávit, enquanto o Real Madrid equilibrou suas contas na temporada 2024/2025.
Por outro lado, Manchester City W.F.C. e Olympique Lyonnais Féminin encerraram o ciclo com déficits de € 3,3 milhões e € 7,7 milhões, respectivamente.
Tendência de crescimento estrutural
O estudo reforça que, embora ainda dependente do suporte financeiro das estruturas masculinas em muitos casos, o futebol feminino europeu caminha para maior autonomia econômica.
A combinação de crescimento comercial, aumento de investimentos e maior visibilidade aponta para um cenário de expansão contínua nos próximos anos.





