Indústria

Africa Creative reforça pilares culturais em meio às transformações da comunicação

Agência defende ambição criativa global, foco em resultado e capacidade de execução como bases para sustentar relevância em um mercado cada vez mais fragmentado e acelerado

21 de maio de 2026

7 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A Africa Creative analisa como a fragmentação da audiência e o excesso de informação mudaram a lógica da comunicação contemporânea.
  • Agência defende relevância, clareza estratégica e foco em execução como diferenciais em um mercado cada vez mais acelerado e competitivo.
  • O conteúdo também aborda a evolução do marketing esportivo e a transformação do esporte em produto de entretenimento.

A fragmentação da audiência, o excesso de informação e a transformação das plataformas digitais mudaram profundamente a lógica da comunicação contemporânea. Em um cenário no qual marcas disputam atenção em tempo real com criadores independentes, redes sociais, transmissões esportivas, streamings e múltiplos formatos de conteúdo, a busca por alcance absoluto deixou de ser uma estratégia viável.

Para Sergio Gordilho, fundador e copresidente da Africa Creative, o mercado vive justamente o momento de entender que relevância passou a valer mais do que volume.

Durante participação no especial “O Business da Copa”, do MKTEsportivo, o executivo afirmou que uma das principais mudanças da comunicação atual está na necessidade de as marcas abandonarem a ideia de falar com todo mundo ao mesmo tempo. Segundo ele, a lógica de construção de audiência mudou, e as empresas passaram a precisar identificar com mais precisão quais públicos realmente importam para seus negócios.

Neste sentido, o ambiente digital reduziu drasticamente a eficácia de mensagens genéricas e ampliou a importância da clareza estratégica dentro da comunicação.

“Se você quiser ser tudo para todo mundo, acaba não sendo nada para ninguém. Hoje, uma marca não consegue mais falar com 100% da audiência ou atingir todos os consumidores. Quando eu digo que menos é mais, é justamente isso: qual é o seu público? ‘Ah, meu público é 30% das pessoas’. Tudo bem. É menos do que 100%, mas é tudo para você. Então foque nele, porque é ele que importa”, disse Sergio Gordilho.

O executivo destacou que essa transformação também afeta diretamente a maneira como campanhas são desenvolvidas. Em um ambiente de excesso de estímulos, múltiplas mensagens simultâneas tendem a perder força, principalmente diante de consumidores cada vez mais seletivos em relação ao conteúdo que escolhem consumir.

Para ele, um dos erros mais recorrentes das marcas atualmente é tentar comunicar muitas ideias ao mesmo tempo, sem estabelecer uma mensagem central suficientemente forte para gerar identificação.

“Quando você vai construir uma comunicação, às vezes quer passar dez mensagens ao mesmo tempo. Claro que seria maravilhoso conseguir isso, mas qual é a mensagem principal? É uma só. Uma é menos do que dez, mas uma mensagem forte vale muito mais”, afirmou.

A análise acompanha um movimento observado em diferentes setores da indústria da comunicação, especialmente em mercados ligados ao entretenimento, ao esporte e à creator economy. Com a expansão das plataformas digitais, o desafio passou a envolver a produção de conteúdo em grande escala e, principalmente, a capacidade real de retenção de atenção.

O excesso de informação transformou o tempo em um dos ativos mais valiosos da economia digital. Nesse cenário, empresas que tentam ocupar todos os espaços acabam diluindo suas mensagens e perdendo capacidade de conexão com o público.

“A lógica do ‘menos é tudo’ é algo que o mundo precisa entender hoje. Vivemos uma era de excesso. Excesso de informação, excesso de conteúdo, excesso de estímulos. E a moeda mais valiosa atualmente é o tempo. O excesso já não funciona mais. Quando você tenta ser tudo, não se torna nada. Quando tenta dizer tudo, acaba não dizendo nada”, detalhou.

Os pilares da Africa

Durante a entrevista, o fundador da Africa Creative também contou os pilares culturais que sustentam a operação da agência. A consistência da agência ao longo dos anos está diretamente ligada à manutenção de conceitos claros e objetivos, capazes de orientar decisões estratégicas, criativas e comerciais em um mercado cada vez mais acelerado.

Gordilho explicou que a cultura da Africa foi construída sob três pilares centrais: ambição criativa global, foco em resultado e capacidade de execução. Criatividade e negócio não podem ser tratados como elementos separados dentro da indústria da comunicação.

“É nisso que a Africa acredita. A agência tem uma cultura muito forte, construída desde o início sob três pilares principais. O primeiro é a ambição criativa global. Acredito que, quando temos ambição criativa global, conseguimos levar o Brasil para um outro patamar. O Brasil é um dos países mais criativos do mundo, mas ainda não traduzimos isso na mesma proporção em negócios”, cravou.

Ao abordar a relação entre criatividade e resultado financeiro, Gordilho defendeu que o mercado brasileiro ainda possui resistência em discutir lucro de maneira mais natural. Para ele, crescimento sustentável, capacidade de investimento e liberdade criativa dependem diretamente de solidez financeira.

Uma operação sem resultado perde capacidade de assumir riscos e inovar, algo especialmente importante em um ambiente de comunicação marcado por rápidas mudanças tecnológicas e comportamentais.

“O segundo pilar é foco em resultado. Porque lucro liberta. Quando você não tem lucro, fica preso, deixa de arriscar, trava decisões. Então precisamos falar sobre resultado financeiro sem tabu. Nos Estados Unidos, as pessoas falam naturalmente em ‘make money’, fazer dinheiro. Aqui no Brasil, às vezes parece errado falar sobre isso. Mas não é. Você acorda cedo todos os dias, trabalha duro, constrói valor. Você não ‘ganha’ dinheiro por acaso, você faz dinheiro”, salientou.

O terceiro elemento destacado foi a cultura de execução dentro da agência. A velocidade de transformação da indústria exige equipes menos burocráticas e mais orientadas à realização prática das ideias. Para ilustrar esse conceito, o fundador da Africa citou até mesmo elementos físicos da estrutura da empresa como símbolos da cultura interna da agência.

“E o terceiro pilar é o tesão em fazer acontecer. Se você visitar a Africa, vai perceber isso. As mesas nem têm gaveta. É uma forma simbólica de mostrar que não dá para guardar as coisas, procrastinar ou deixar ideias paradas. Tem que fazer acontecer”, completou.

Na avaliação do executivo, a simplicidade desses pilares é justamente um dos fatores que ajudam a sustentar a identidade da empresa ao longo do tempo. Em vez de estruturas excessivamente complexas, a Africa optou por consolidar poucos conceitos centrais, mas com forte capacidade de aplicação prática no dia a dia da operação.

O marketing esportivo

Além da comunicação de marcas, Gordilho também analisou o crescimento do marketing esportivo dentro da indústria do entretenimento. O esporte ocupa posição estratégica no Brasil por reunir audiência massiva, conexão emocional e potencial de construção cultural, fatores que ampliam o interesse das empresas pelo setor.

“Acredito que o marketing esportivo é uma das grandes fronteiras do mercado atualmente. O brasileiro enxerga o esporte como entretenimento de uma maneira muito forte, talvez mais do que em muitos outros países. Por isso, essa discussão é tão importante. Precisamos pensar em branding para os clubes, em como ampliar audiência, em quais canais fazem sentido para o futuro e até em mudanças que o esporte talvez precise fazer para se tornar um produto ainda mais forte do ponto de vista de mídia e entretenimento”, enfatizou Sergio.

“O marketing esportivo precisa ser entendido cada vez mais como marketing de entretenimento e participar dessa reflexão, olhando para o futuro do esporte e da comunicação”, finalizou.

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